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Comemorações do 25 de Abril em Campo Maior com várias actividades a partir de amanhã


Comemorações dos 44 anos do 25 de Abril têm início amanhã em Campo Maior. Para assinalar a data da "Revolução dos Cravos", o Município de Campo Maior preparou uma série de actividades, de acordo com o seguinte programa:

3.ª feira | 24 de Abril
Praça da República
21:30H - Animação Musical com Nélson Caldeira

00:00H - 25 Morteiros de Abril e Hastear da Bandeira Nacional ao som de «A Portuguesa» interpretada pela Banda 1º de Dezembro

4.ª feira | 25 de Abril
09:30H - Hastear da Bandeira Nacional em várias instituições do Concelho com arruada da Banda 1º de Dezembro

Degolados - Campo de Jogos Rogério Martins
10:00H - Jogos Tradicionais e Atividades para Crianças

Jardim Municipal
10:00H - Actividades Desportivas para crianças

Ampliação do Lar de Santa Beatriz na agenda do Município e da Santa Casa da Misericórdia


O Município de Campo Maior promoveu esta semana uma reunião com o sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Luis Machado, com o objectivo de preparar a candidatura ao Programa Operacional Alentejo 2020, destinado ao cofinanciamento do projecto de Ampliação do Lar de Santa Beatriz.
Esta tem sido uma preocupação constante do Presidente Ricardo Pinheiro e do Executivo Municipal: criar as condições ideais para os nossos idosos, com a dignidade, a segurança e os cuidados diários que eles merecem.

Infantis do Sporting Clube Campomaiorense conquistam Taça da Associação de Futebol de Portalegre


A formação de Infantis do Sporting Clube Campomaiorense conquistou a Taça da Associação de Futebol de Portalegre, ao vencer a sua congénere de "O Elvas" CAD por uma bola a zero.
A derradeira partida desta competição teve lugar no sábado, 21 de Abril, pelas 10H00, no Estádio Municipal "Pedro Barrena", em Elvas. Estão de parabéns os jovens comandados de Luís Silva ao conquistar este troféu da temporada 2017/2018.

O MAJOR TALAYA - COMANDANTE DA PRAÇA DE CAMPO MAIOR DURANTE O CERCO DE 1811, por Francisco Galego


José Joaquim Talaya, nascido em Lisboa, na Freguesia da Ajuda, em 16 de Dezembro de 1757, pertencia a uma família de militares, muito prestigiada nas várias academias que, nesse tempo, constituíam os centros culturais e de convívio dos mais ilustrados.
Tendo já obtido a promoção em capitão, ligou-se pelo casamento a outra família de militares, a dos Silva Villar, casando, em 31 de Janeiro de 1799, com D. Rosa Clara Maria, filha legítima de um capitão e irmã de oficiais que se distinguiram como soldados das forças liberalistas, tal como os quatro filhos resultantes desse casamento, que também adoptaram a luta pela implantação e defesa do Liberalismo.
Tendo iniciado a sua carreia militar como oficial de infantaria, Talaya passou, depois dos estudos necessários, para a especialidade de engenheiraria militar.
Nomeado administrador da Real Fábrica da Pólvora em Barcarena, cargo que desempenhou durante alguns anos, em 29 de Abril de 1793 foi distinguido com a Ordem de S. Bento de Aviz, pela “distinção, zelo, honra, aplicação e actividade” com que desempenhou as suas funções.
Em 21 de Junho de 1800 foi promovido a sargento-mor.
Dez anos depois, o Major Talaya iria distinguir-se como comandante militar, numa situação muito difícil, como comandante militar da praça-de-guerra de Campo Maior.
Os antecedentes:
Devido à recusa de Portugal romper a sua aliança com os ingleses, em 28 de Fevereiro de 1801, a Espanha e a França declararam guerra a Portugal. As hostilidades começaram com a invasão do Alto Alentejo. As praças de guerra estavam muito pouco preparadas para a iminência do ataque.
A praça-de-guerra de Campo Maior sofrera um cerco em 1801. O exército português tinha-se estrategicamente retirado para lá do Tejo. Não havia, portanto, qualquer possibilidade de a praça ser socorrida.  Como quase todas as outras, esta praça de guerra dispunha de uma guarnição muito reduzida e estava muito mal armada. Tinha, interinamente, como comandante, o coronel de engenheiros Matias José Dias Azedo, que aí fora colocado para reparação das fortificações. No Alto Alentejo, só Elvas não foi ocupada.
Sabia-se que estava em Badajoz, numa delegação negociando a paz, estava um ministro português. 
Foi negociado o Tratado de Badajozassinado em 6 de Junho de 1801. Mas as tropas espanholas só abandonaram a praça de guerra de Campo Maior, no dia 22 de Novembro de 1801. Devido aos bombardeamentos e à acção dos soldados, franceses e espanhóis que a ocuparam quase meio ano, tanto a vila, como as estruturas da sua fortaleza, sofreram forte destruição.

Em 1810, o engenheiro militar Talaya, foi enviado para Campo Maior por William Beresford que organizara e comandava o exército portiguês, com o encargo de proceder à reparação das fortificações, fazendo executar os projectos elaborados pelo engenheiro militar Matias José Dias Azedo, seu antecessor, bem como outras obras que entendesse necessárias para colocar a praça em melhores condições de resistência.
Por essa altura, tendo falecido o governador da praça, o sargento-mor Talaya, teve de assumir o cargo de governador, à semelhança do que ocorrera com Dias Azedo, em 1801.
No início de 1811, começou a 3ª invasão francesa comandada por Massena.
Em 11 de Março de 1811, tropas francesas, comandadas por Soult, tomaram Badajoz. Soult deu indicações a Mortier para que tomasse Campo Maior.
Esta praça, além de uma guarnição muito escassa e com fraca preparação militar, estava muito mal provida de munições, pois tinha sido despojada após a sua rendição no cerco de 1801.
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Texto elaborado com “notas de leitura” das seguintes obras:
- Cláudio de Chaby - EXCERTOS HISTORICOS E COLLECÇÃO DE DOCUMENTOS RELATIVOS À GUERRA DENOMINADA DA PENÍNSULA E ÀS ANTERIORES DE 1801 E DO ROUSSILLON E CATALUNHA. Imprensa Nacional, 1863.
- O CÊRCO DE CAMPO MAIOR EM 1811- Comissão do 1º Centenário da Guerra Peninsular 1811-1911Lisboa, Imprensa Nacional, 1911.
- Luís Couceiro da Costa - MEMÓRIAS MILITARES DE CAMPO MAIOR. Editor – António Torres de Carvalho, Elvas, 1912.
UMA CELEBRAÇÃO MAIOR EM CAMPO MAIOR – O CERCO DE 1811. Campo Maior, 2011. Elab. por Francisco Pereira Galego. Ed. Município de Campo Maior, 26 de Março de 2011.
- Francisco Pereira Galego - CAMPO MAIOR NA OBRA DE JOÃO DUBRAZ - VOL. I - MEMÓRIAS HISTÓRICAS DE CAMPO MAIOR – Ed. Município de Campo Maior, 2017.

Francisco Galego

Almoço Convívio dos antigos trabalhadores da Caia no próximo dia 5 de Maio em Campo Maior


O Almoço Convívio dos antigos trabalhadores da Caia vai ter lugar no próximo dia 5 de Maio.
O convívio terá lugar no Restaurante o Faisão, em Campo Maior, pelas 13 horas do dia 5 de Maio. Os interessados em participar poderão fazer a sua inscrição, que tem o custo de 15,00 €, no escritório do António Piedade, na Praça da República, até ao próximo dia 26 de Abril.
De acordo com a organização, este almoço convívio pretende juntar em convívio, alguns anos depois, os antigos trabalhadores de uma empresa que marcou o concelho de Campo Maior, e não só, até aos anos setenta do século passado.

Casa do Benfica em Campo Maior, a número 1 do país, assinalou o 66º aniversário


A Casa do Benfica em Campo assinalou hoje o 66º aniversário, sendo que a fundação daquela que é e Casa número 1 do clube da Luz, foi no dia 20 de Abril de 1952. Na tarde de hoje, os sócios desta colectividade desportiva reuniram-se em convívio, celebrando o aniversário daquela que é considerada a primeira das Casas do Benfica no país.
Esta agremiação de Campo Maior tem actualmente a sua sede social no espaço do Polidesportivo da Junta de Freguesia de São João Baptista e desenvolve várias actividades desportivas no concelho, tais como o aulas de patinagem e hóquei.

A chuva está de regresso acompanhada com uma descida da temperatura máxima


A chuva está de regresso a Portugal Continental e permanece pelo menos até ao início da semana, prevendo-se ainda uma descida da temperatura máxima entre quatro a seis graus. Para Campo Maior as previsões indicam o regresso da chuva no início da próxima madrugada (ver quadro em baixo).
O território do Continente está sob influência de uma depressão centrada a sudoeste do Continente e vai trazer alguma instabilidade, especialmente nas regiões centro e sul, adiantaram os meteorologistas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Na região Centro e Sul estão previstos aguaceiros e até trovoada. A partir de amanhã, sábado, haverá aguaceiros e períodos de chuva um pouco por todo o território, especialmente no sul onde pode ocorrer trovoada.


CAMPO MAIOR – A ANTIGA PRAÇA DE GUERRA, por Francisco Galego


É Campo Maior uma das praças mais importantes da Província do Alentejo, fronteira de Badajoz, sem que entre uma e outra haja rio ou serra que possam impedir as operações de cavalaria. Faz também fronteira  com Albuquerque que é a segunda Praça da Província da Estremadura. 
(...) É esta Vila fortificada ao moderno, como uma das praças principais das fronteiras. O seu recinto é formado pelo Baluarte de S. João (1) e o de Santa Cruz, entre os quais o fosso que lhes corresponde é cheio de água. À sua parte maior, que é a que envolve o Baluarte de S. João, chamam o Lago; à parte mais pequena,  a que envolve o Baluarte de Santa Cruz, chamam o Laguinho. Têm as suas águas, muita tenca e excelentes pardelhas (2). Conservam-se todo o ano com abundância de água que recebem dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho. Ao Baluarte de S. Cruz segue-se uma cortina muito extensa e, no remate dela, fica-lhe, a cavaleiro (3), o meio baluarte a que chamam do Curral dos Coelhos. A este segue-se o que se chama Baluarte de Lisboa. Entre este e o Baluarte de S. Sebastião está a Porta da Vilaa que chamam de Porta de Santa Maria. Segue-se o Baluarte da Boa Vista, a que se segue o Meio Baluarte de Santa Rosa, que está a ser restaurado;  a ele seguem-se, o Baluarte de São Francisco, o Baluarte da Fonte do Concelho e o Baluarte do Picha Torta (4), cuja cortina fecha a Praça no Baluarte de S. João e, nessa cortina, está situada a porta principal  da vila, a que chamam Porta de S. Pedro (5).
Tem excelentes fossos, bastantes esplanadas, estradas encobertas e, em algumas partes, contra-escarpas.Tem seis revelins, dois fortes, o principal chama-se Forte de S. João (6) e fica para a parte do nascente, o outro chamado  Forte do Cachimbo , fica mais para a parte do meio-dia (7).
Esta fortificação principiou-a D. João IV, tendo-a continuado a Rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI, El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V, que Deus guarde.
Mas, sem embargo de não estar acabada e ter muitas imperfeições, resistiu ao Sítio que lhe moveram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712, governando aquele exército o Marquês de Bay e as nossas armas Pedro de Mascarenhas e sendo governador da Praça, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo.”
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(In, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior, (pág.s 79 e 80).
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(1) Vulgarmente designado como "Cavaleiro".
(2) Os peixes costumam garantir a limpeza das águas. Mas, segundo testemunhos da época, estes peixes eram pescados e usados na alimentação pela população. Daí terá resultado uma continuada redução, provavelmente até à extinção.
(3) Sobreposto ou sotoposto.
(4) Este baluarte,aparecia assim nomeado nas plantas militares. Mas, porque esta designação deixou de ser apropriada, numa linguagem socialmente aceitável, passou a ser designado como Baluarte do Príncipe, em homenagem ao futuro D. João VI que, devido à instabilidade mental da rainha D. Maria I, sua mãe, era ele quem efectivamente, reinava em Portugal.  Este baluarte ocupava o espaço do quadrilátero irregular hoje confinado pela Avenida da Liberdade (lados N. e N.E.), pela Estrada Militar (lado S.) e pelo terreno ocupado pela Creche da Santa Casa da Misericórdia. Este espaço está agora  ocupado por prédios de habitação, por garagens e por armazéns. Da estrutura militar primitiva, restam apenas um pano de muralha, no lado virado a N. e outro confinando com o terreno onde está a Creche.  Ligava-se por uma cortina de muralha rodeada de fosso, orientada para S.E, com o baluarte da Fonte do Concelho e por outra cortina, com o Baluarte de S. João (dito a Cavaleiro), na direcção N.W.
(5) Por ter sido construída mais tardiamente, a chamada "Porta de S. Pedro" foi,  durante muito tempo, designada como  a "Porta Nova". Passou a ser o  principal acesso à vila, quando foi aberta uma nova ligação  à estrada para a cidade de Elvas que passava pela Fonte Nova, donde deriva também a estrada para Portalegre, passando por Degolados e Arronches.
(6) Era vulgarmente designado como "Forte das Pesetas". Foi depois demolido porque, devido à sua colocação e disposição, em caso de "sítio" constituiria uma posição perigosa, se ocupada pela artilharia das forças sitiantes.
(7) Ou seja, perto da estrada que, saindo pela porta de Santa Maria, faz a ligação à estrada para Elvas.

Francisco Galego

Cãominhada em Campo Maior promovida pelo Grupo dos Amigos dos Animais


O Grupo dos Amigos dos Animais de Campo Maior, organiza uma "Cãominhada" no próximo dia 28 de Abril. O início será no recinto das Escolas do Bairro Novo, a partir das 16 horas.
Os interessados em participar podem efectuar a sua inscrição, a troco de um donativo em géneros, tais como um bem alimentar, comida seca ou húmida, coleira, trelas, entre outros.
Entre outras entidades e empresas patrocinadoras, o Grupo dos Amigos dos Animais de Campo Maior contam com o apoio do Município local. 


GNR apreende 225 quilos de azeitonas em Elvas


O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Elvas, no dia 17 de Abril, apreendeu cerca 225 quilos de azeitona, na localidade de Elvas.
Durante o patrulhamento na Estrada Nacional 246, os militares abordaram quatro pessoas a carregar sacos de azeitonas que, perante a presença da patrulha, demonstraram um comportamento suspeito, verificando-se que não eram os proprietários do produto agrícola.
Foram identificados e constituídos arguidos dois homens e duas mulheres, tendo sido sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência.

A DEFESA DE CAMPO MAIOR PELO MAJOR TALAYA, por Francisco Galego


Vejamos, numa listagem sucinta, os factos mais importantes da acção militar do Major Talaya, como comandante da praça de guerra de Campo Maior, durante o memorável Cerco de 1811:

Em 8 de Março, começou o cerco à fortaleza de Campo Maior pelo exército francês comandado pelo marechal Mortier que permanecia em Badajoz. Este mandou Girad cercar a vila que, organizado o cerco, intimou o Major Talaya, seu comandante, a render-se. Talaya recebeu os emissários, rodeado de artilheiros, milicianos, ordenanças e reformados do extinto regimento 20, mas fê-los comparecer fardados de oficiais de vários corpos para parecer que Talaya comandava uma numerosa guarnição.
Em 9 de Março, foi posto cerco à Praça por uma força de 4 a 5 mil sitiantes. Talaya dispunha de menos de 500 homens armados. Mas, porque sabia que Beresford estava a caminho, na esperança de ser socorrido, procurou resistir.  
Em 10 de Março, a cidade de Badajoz foi conquistada pelas forças francesas de Soult.
Em 13 de Março, Soult iniciou o regresso à Andaluzia com uma parte das forças que tinham estado concentradas em torno de Badajoz.
Em 16 de Março, deu-se o combate da Foz de Arouce, vencido o qual, Wellington obrigou o exército francês a continuar a retirada.
Em 20 de Março, Talaya negociou a rendição, na condição de só se efectuar se, até às 2 horas da tarde do dia 22, não fosse socorrido.
Talaya só tinha pólvora para mais um dia e os milicianos de Portalegre não queriam continuar a lutar. Contudo, com esta negociação ganhou a resistência por mais dois dias.
Em 22 de Março saiu, com honras militares, às 2 horas da tarde, com 30 artilheiros e alguns milicianos.
Em 24 de Março, entraram os franceses.
Em 25 de Março, os franceses retiraram à pressa devido à chegada de Beresford.
Em 3 de Abril, deu-se o combate de Sabugal, em que Wellington bateu Reynier e obrigou Massena a abandonar Portugal.
Em 5 de Abril, o exército francês comandado por Massena atravessou a fronteira entre Portugal e Espanha, em Aldeia do Bispo.
(Acabou assim a 3.ª Invasão de Portugal pelos franceses) 
Efectivamente, a acção do Major Talaya como comandante durante o Cerco de Campo Maior de 1811 foi, sobretudo muito notável, tendo em conta as dificílimas condições em que teve de actuar, devido à excassez de recursos. A Praça estava muito mal guarnecida de tropas, de munições, de equipamentos militares e de mantimentos, pois apenas dispunha de:
            -  45 artilheiros, com um equipamento constituido por:
            -  30 peças de artilharia;
            -  2 obuses, morteiros, pequenas quantidades de balas e de pólvora;
            -  230 homens de um regimento de milícias de Portalegre;
            -  300 ordenanças da vila, mas só havia armas para 100;
Em quase todas as referências à acção do Major Talya, como comandante durante o cerco de Campo Maior, sobressaem as que testemunham a maneira como ele procurou suprir as grandes dificuldades que tinha, tanto ao nível dos recursos humanos, como dos meios militares, para assegurar a defesa da Praça.
Recorrendo a uma estratégia fundada em inteligentes, prudentes e astutas tácticas, conseguiu iludir as dificuldades para ganhar a dilatação do prazo, até ao inevitável momento da rendição.
Simulou ter mais gente do que aquela de que realmente dispunha. Escondeu os pontos fracos de defesa. Iludiu dificuldades de resposta. Aparentou possibilidades que, na verdade, não existiam.
Recorrendo a uma estratégia de simulação, conseguiu ocultar a gravidade da situação que tinha de gerir. Com uma aparente serenidade evitou que se tornasse evidente a gravidade da situação que teve de enfrentar.
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NOTA: Como mera hipótese, consideremos que o Major Talaya, dados os tão fracos recursos de que dispunha (em homens, armas e munições), se tivesse desde logo rendido como antes tinha feito o governador de Olivença. Nesse caso, Campo Maior faria agora parte do terrotório português? Ou aí reside a razão de, até hoje, o  nome do Major Talaya constar na designação de uma das principais ruas desta vila que, devido à sua defesa em 1811, inclui no seu brasão as palavras:
LEALDADE E VALOR e
LEAL e VALOROSA VILA DE CAMPO MAIOR?

Francisco Galego

"B3L2", grupo campomaiorense actua dia 8 de Agosto no MEO Sudoeste que anunciou programação do Palco LG by Mega Hits


O lugar de destaque dos novos talentos da música nacional e das promessas da língua lusa está garantido a cada edição do MEO Sudoeste.

O Palco LG, este ano com curadoria da Mega Hits, privilegia a novidade, a qualidade da nova música nacional e a diversidade de estilos, do hip hop à pop e à soul. É essa a proposta do Palco LG by Mega Hits, no MEO Sudoeste.

Dia 8 de Agosto, o Palco LG by Mega Hits recebe a energia sem limites de Blaya, que leva ao MEO Sudoeste novo álbum a estrear, com influência do funk brasileiro e outros sons urbanos de Lisboa.
Num registo mais acústico e mais tranquilo, e a actuar pela primeira vez num festival perante milhares de pessoas vai estar Caroletta – a voz doce que Diogo Piçarra descobriu a tocar nas ruas de Lisboa, e que viu a sua vida dar um salto olímpico da noite para o dia.
Também os B3L2 vão ter no MEO Sudoeste a primeira actuação perante uma plateia tão vasta. Vencedores do concurso de bandas #OneStep4MusicFest, realizado na Futurália na Fil, em Março de 2018, os B3L2 levam agora o hip hop em que se expressam de Campo Maior no Alentejo até ao MEO Sudoeste.

No dia 9 de Agosto, o hip hop dá cartas no Palco LG by Mega Hits. A rainha ginga do Rap Angolano, Eva Rap Diva, sobe ao palco com as rimas combativas e a habitual frontalidade feita de garra e uma voz decidida.
Segue-se o poeta da era moderna, Papillon, que conhecemos dos GROGnation, e que agora surge a solo a misturar uma escrita afiada com o ritmo e o sentimento perfeitos.
Ainda neste dia, atuam os Rich Fellaz, também vencedores do concurso de bandas #OneStep4MusicFest, cujo prémio lhes valeu este lugar no Palco LG by Mega Hits.

Dia 10 de Agosto, a força das palavras segue com Bispo, um dos artistas mais requisitados do momento, pela qualidade das letras que escreve e pela energia com que rima e se expressa em palco.
É com a mesma energia que subirá ao Palco LG by Mega Hits a cantora MAR, que alia o novo r&b às influências latinas.
Neste dia, há mais um nome a fixar no panorama do hip hop nacional: DOMI. Com apenas 19 anos, é já considerado um dos rappers mais promissores da atualidade.

Para o dia da despedida, 11 de Agosto, as propostas são mais viradas para a pop, mas o hip hop volta a marcar presença. Paulo Sousajá deu voz ao hino do MEO Sudoeste em 2016, e este ano volta ao Festival para atuar no Palco LG by Mega Hits, a convite da rádio onde já foi convidado do programa “Confessions”. A música soul volta a marcar pontos no MEO Sudoeste pela voz de Enoque, que vai apresentar na Zambujeira do Mar o álbum de estreia a solo, apadrinhado pelos HMB e Anselmo Ralph.

O MEO Sudoeste é também o primeiro grande festival onde Ivo Lucas vai atuar. Já fez a primeira parte dos concertos da tour de verão dos D.A.M.A., e agora é hora de apresentar as suas canções em nome próprio no maior festival de verão do país, onde vai atuar também YUZI, uma das maiores e mais inesperadas revelações do hip hop português, e já considerado o rapper na vanguarda desta nova vaga de jovens talentos portugueses.
LG Lança Concurso de DJs para o público do MEO Sudoeste

Vencedores vão ter acesso a uma DJ Master Class e descontos em cursos de DJ

A LG Electronics volta este ano a marcar presença no MEO Sudoeste, que se realiza entre 4 e 11 de agosto. O objetivo é apoiar a música e o talento nacional e revelá-lo ao mundo da música no Palco LG by Mega Hits com que a LG se vai apresentar na edição de 2018 deste Festival.

Desafia o teu talento

Todos os festivaleiros que estiverem presentes no MEO Sudoeste podem tentar alcançar o estrelato noConcurso de DJs que vai animar todas as tardes de 4 a 11 de agosto. Durante estes dias, os jovens artistas vão poder participar numa “batalha” de 15 minutos em que terão de dar o seu melhor para convencer a assistência de que são o DJ mais talentoso da tarde. Os vencedores deste desafio, realizado pela LG em parceria com a AIMEC – 1.ª Escola Internacional de produção musical e DJs em Portugal, terão acesso a uma DJ Master Class e a descontos em cursos de DJ.
Além desta “batalha” de DJs, a LG vai também promover duas bandas nacionais que ao se sagrarem finalistas no palco LG LIVE dinamizado pela One Step 4 Music Fest, na Futurália, ganharam a oportunidade de subir ao palco LG LIVE do MEO Sudoeste – e tentar brilhar junto do público que no início de agosto se faz à estrada rumo ao sul, para ouvir o que de melhor se faz na música nacional e internacional.

LG torna o “impossível realidade” – COOL SPOT

Enquanto parceira tecnológica do mundo da música, e marca que tem como missão melhorar a vida dos portugueses, a LG volta este ano a instalar no MEO Sudoeste o LG Cool Spot que, à semelhança dos cartazes dos festivais de verão, tem nesta edição inúmeras novidades. Além das oito máquinas de lavar roupa, disponíveis das 12h00 às 20h00, e de cinco mesas com carregadores de telemóveis, acessíveis 24 horas por dia, nesta edição do MEO Sudoeste será ainda possível aos visitantes ter acesso a 500 cacifos fechados a cadeado, onde vão poder guardar todos os dias entre as 12h00 e as 20h00 os seus bens mais valiosos.
A inovação e a tecnologia ao serviço da música disponibilizadas pela LG há quatro anos consecutivos neste Festival faz com que lavar roupa à mão, levar várias baterias extra para o telemóvel na mochila ou esconder a carteira nas meias seja hoje apenas uma recordação tão distante como o famoso grito “Oh Elsaaaa” que há 20 anos lançou para a ribalta dos festivais nacionais essa mítica personagem cuja existência e realidade permanece até hoje no segredo dos “Deuses da música”.
Fonte: musifest.pt

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"A Arte Sob o Olhar de uma Criança" no Centro Cultural de Campo Maior


Decorre no Centro Cultural de Campo Maior, desde ontem 18 d Abril e até ao próximo dia 5 de Maio, uma mostra de trabalhos dos Alunos do Jardim de Infância "O Despertar".
Os alunos do Jardim de Infância "O Despertar" estão a desenvolver um projecto onde são trabalhadas várias formas de arte. Nos últimos meses têm vindo a trabalhar especificamente a pintura, estudando a obra de vários pintores, entre els Juan Miró, Van Gogh e Damien Hirst, bem como diversas técnicas de pintura e escultura.
Como resultado deste projecto, pode-se agora apreciar a mostra dos trabalhos dos alunos, intitulada "A Arte Sob o Olhar de uma Criança".

Operação Moto - GNR intensifica a partir de hoje acções de fiscalização rodoviária a motociclos e ciclomotores


A Guarda Nacional Republicana (GNR) intensifica a partir de hoje, dia 18 até ao dia 22 de Abril, na sua área de responsabilidade, acções de fiscalização rodoviária no sentido de prevenir comportamentos de risco durante a condução de motociclos e ciclomotores nas vias com maior intensidade de tráfego, com o objectivo de inverter a tendência de aumento da sinistralidade.
Em 2017 a GNR registou 77 303 acidentes de viação, de onde resultaram 433 vítimas mortais e 1646 feridos graves, salientando que 5815 acidentes envolveram veículos motorizados de duas rodas, tendo resultado 104 vítimas mortais (mais 35 que em 2016) e 431 feridos graves (mais 100 que em 2016), com principalmente incidências aos sábados e domingos.
Durante a operação serão empenhados militares dos comandos territoriais e da Unidade Nacional de Trânsito, que estarão especialmente atentos às seguintes infracções:
Excesso de velocidade;
Não utilização de equipamentos de proteção;
Manobras perigosas;
Estado dos pneumáticos, sistemas de iluminação e matrícula;
Condução sem habilitação legal;
Condução sob o efeito do álcool e de substâncias psicotrópicas.
Os militares irão ainda efectuar acções de sensibilização dirigidos aos condutores de motociclos e ciclomotores, aconselhando o seguinte:
Uso do capacete, vestuário de proteção resistente e material retrorrefletor;
A obrigação de circular sempre com os médios acesos, para ser visto;
Não circular entre filas de veículos;
Adequar a velocidade ao estado do piso e garantir as distâncias de segurança.

Visita das Relíquias da Beata Maria do Divino Coração, na Igreja Matriz em Campo Maior


A Zona Pastoral de Campo Maior fez hoje, dia 18 de Abril, o Acolhimento das Relíquias da Beata Maria do Divino Coração (Religiosa do Bom Pastor), na Igreja Matriz. A cerimónia teve lugar pelas 18H30 na Igreja Matriz, seguida da Eucaristia. Pelas 21H00 realizou-se a Adoração Eucarística na Igreja Matriz.
Para amanhã, dia 19 de Abril, pelas 15H00 está previsto o Terço da Divina Misericórdia, na Igreja de São João Baptista, a Adoração Eucarística pelas 18 horas e a Eucaristia às 19H00. Já na sexta-feira, dia 20 de Abril, pelas 20H00 terá lugar a Eucaristia no Convento da Imaculada Conceição.

D. JOÃO V - UMA VISITA REAL A CAMPO MAIOR, por Francisco Galego


Nas casas de João de Aguiar Mexia(1), no Terreiro das Estalagens(2), se tem acomodado o Sr. Infante D. Francisco, as três vezes que tem vindo a esta Praça. Sendo a primeira em segunda-feira, 18 de Dezembro do ano de 1713, a segunda em 14 de Setembro de 1714 e a terceira em 13 do dito mês de Setembro de 1715.(3)
Nestas casas se fez aposentadoria para S. Majestade, que Deus guarde, no ano de 1716. De que não usou porque, vindo no dia 12 de Novembro a esta Praça, voltou no mesmo dia a Elvas, por causa da chuva que sobreveio (4).
João V, vinha acompanhado de seus irmãos, os Senhores Infantes D. Francisco e D. António, todos em coche e, com eles: o Marquês de Marialva, D. Diogo de Noronha, camarista de Sua Majestade; D. Duarte António da Câmara, depois Conde de Aveiras, camarista do Sr. D. Francisco; e Rodrigo de Melo da Silva, depois Conde de S. Lourenço, camarista do Sr. D. António. Acompanhava Sua Majestade, o Duque de Cadaval, D. Nuno Álvares Pereira, Mestre de Campo General junto à sua real pessoa e Governador das Armas da Província de Estremadura, o qual vinha a cavalo.
Governava esta Praça o Brigadeiro Estêvão de Moura e Azevedo, o qual teve ordem por carta do Secretário de Estado, Diogo Mendonça de Corte Real, escrita no dia antecedente, para que não fizesse nenhuma demonstração militar, nem política, porque S. Majestade estava incógnito e assim o ordenava (…)
O governador esperou El-Rei à entrada da porta da Praça com os Coronéis D. Felipe Alarcão de Mascarenhas, do Regimento de Infantaria; Martinho Afonso Mexia, do Regimento de Cavalaria; o Tenente Coronel de Cavalaria João da Rocha de Vasconcelos; o Sargento-Maior de Infantaria, Fernão da Mesquita Barba; o Sargento-Maior da Praça, Francisco da Silveira; e muitos outros oficiais.
Sua Majestade não se deteve e se foi apear à Igreja de S. João Baptista, aonde lhe beijaram as mãos os oficiais referidos e os da Câmara e algumas pessoas particulares. Daí passou a ver o Castelo e, na Praça de Armas estava formado o Regimento de Infantaria.
Subiu El-Rei à Torre Grande e dela viu toda a Praça e o terreno em que foram abertos os ataques para o Sítio do ano de 1712. Daí passou à Igreja Matriz onde foi recebido com Pálio e Te-Deum Laudamus e com mais cerimónias do ritual.
Tornou a entrar no coche e, sem mais demora, voltou a Elvas, desaprovando o dia a resolução de dormir uma ou duas noites nesta Praça, para o que tinha chegado a ela João Xavier a preparar as casas sobreditas, nas quais quis seu dono manifestar o ardente desejo de servir a Sua Majestade, mandando prover a sua ucharia (5) de tudo o que pode permitir o pouco tempo de uma noite e uma manhã.
Mandou S. Majestade dar cem moedas para os soldados da guarnição da Praça.
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In, (Estêvão da Gama, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior (...), ( p. 52 e 53)
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(1) Refere-se ao que foi depois chamado Palácio de Olivã, onde agora está instalada a Biblioteca Municipal João Dubraz; a Repartição das Finanças Públicas e o Lagar-Museu do Azeite.
(2) Hoje Largo do Barata. Chamava-se "das Estagens", pela mesma razão porque a actual Rua da Poterna, se chamou "Rua da Estalagem Velha". Pois que,  por estarem situadas perto das entradas da vila, ali estavam as casas onde se acomodavam os visitantes.
(3) Estas visitas tinham como finalidade, acompanhar a reconstrução da vila que ficara muito afectada como consequência da destruição provocada pelo Cerco de 1712.
(4) Nesta época não existia ainda a ponte sobre o Caia, tendo este rio que ser passado a vau, coisa que se tornava impraticável na situação de grandes chuvadas.
(5) Ucharia = despensa provida de bens alimentares e outros, destinados à acomodação dos hóspedes que se recebiam em casa.

Francisco Galego

Camiões colidem na EN373 e cortam trânsito entre Elvas e Campo Maior


Dois pesados de mercadorias embateram na tarde desta terça-feira na Estrada Nacional 373, entre Campo Maior e Elvas, não se registando feridos entre os condutores dos camiões.
O acidente ocorreu numa zona de estreitamento da via no sentido Campo Maior/Elvas, na zona conhecida como da ponte da Barragem do Perdigão, cerca das 17H45. O trânsito esteve cortado no local, impedindo a circulação entre Elvas e Campo Maior durante cerca de duas horas, com os caminhos alternativos a serem utilizados.
A GNR está presente no teatro das operações

Dois feridos resultaram de uma colisão rodoviária junto ao Bairro de S. Sebastião, em Campo Maior


Uma colisão rodoviária ocorreu esta terça-feira, 17 de Abril, junto ao Bairro de São Sebastião, em Campo Maior, provocando dois feridos leves.
Os dois feridos são duas mulheres com 35 e 70 anos de idade. O alerta foi dado às 14:14h, segundo informou ao "Linhas" fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre.
No local estiveram seis operacionais e três veículos dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior e a GNR.

GNR apreende 1675 doses de droga e detem cinco pessoas em flagrante delito


Cinco pessoas foram detidas em flagrante delito pelo Comando Territorial de Portalegre da GNR, na semana passada, no decorrer de um conjunto de operações que visaram, entre outras, a prevenção e o combate à criminalidade violenta bem como a fiscalização rodoviária. 
Um dos indivíduos foi detido pelo tráfico de estupefacientes numa semana em que foram apreendidas 972 doses de MDMA, 495 doses de haxixe, 193 doses de liamba e 15 doses de cocaína.
No âmbito da fiscalização rodoviária foram detectadas 116 infracções, maioritariamente falta de utilização do cinto de segurança, falta de inspecção periódica e uso indevido do telemóvel no exercício da condução. Sete foram os acidentes registados, dos quais resultou um ferido grave.

O CERCO DE CAMPO MAIOR DE 1811, por Francisco Galego


Em 1810, o engenheiro militar Talaya, foi enviado para Campo Maior por William Beresford que organizara e comandava o exército portiguês, com o encargo de proceder à reparação das fortificações, fazendo executar os projectos elaborados pelo engenheiro militar Matias José Dias Azedo, seu antecessor, bem como outras obras que entendesse necessárias para colocar a praça em melhores condições de resistir  qualquer ataque ou cerco, pois a Europa estava então no período das guerras desencadeadas pelos exércitos de Napoléão Bonaparte .
Por essa altura, tendo falecido o governador da praça, o sargento-mor Talaya que era engenheiro militar encarregado de restaurar as fortificações, teve de assumir o cargo de governador, à semelhança do que ocorrera com Dias Azedo, em 1801.

No início de 1811, começou a 3ª invasão francesa comandada por Massena.
Em 11 de Março de 1811, tropas francesas comandadas por Soult, tomaram Badajoz. Este deu indicações a Mortier para que tomasse Campo Maior.

A praça além de uma guarnição muito escassa e com fraca preparação militar, estava muito mal provida de munições, pois tinha sido despojada pelas tropas francesas e espanholas que a ocuparam, após a sua rendição no cerco de 1801.

Efectivamente, a acção do Major Talaya como comandante durante o Cerco de Campo Maior de 1811, iria ser sobretudo muito notável, tendo em conta as dificílimas condições em que teve de actuar, devido à excassez de recursos. A Praça estava muito mal guarnecida de tropas, de munições, de equipamentos militares e de mantimentos, pois apenas dispunha de:
            - 45 artilheiros, com um equipamento constituido por: 
           - 30 peças deartilharia; 2 obuses, morteiros, pequenas quantidades de
              balas e de pólvora;
            - 230 homens de um regimento de milícias de Portalegre; 
            - 300 ordenanças da vila, mas só havia armas para 100.

O escritor e historiador João Dubraz, que nasceu em Campo Maior em 1818, ainda conheceu muitos dos que tinham testemunhado directamente os acontecimemtos ocorridos durante o Cerco de 1811. Na sua obra publicada em 1869, descreveu assim as condições da rendição que reflectem os resultados da acção do Major Talaya, como governador da Praça de Guerra de Campo Maior, numa situação de extrema dificuldade. Elas justificam a maneira como, o Major Talaya, ainda é celebrado como figura maior da História de Campo Maior:

Insistir por mais tempo na defesa era temeridade. Tinham escasseado as munições; algumas peças de artilharia estavam apeadas; um dia mais de resistência teria feito cair a praça por si mesma, isto ainda supondo que não fosse entrada. Mas tinha sido preciso ocultar a fraqueza e nunca se mostrou.

(...) Eis o texto oficial da capitulação, tão honrosa quanto o apuro das circunstâncias o permitia.
“O Sr. general de divisão, barão de Girard, comandante do exército do cerco em frente de Campo Maior, sob as ordens do marechal duque de Treviso, (general Mortier) de uma parte e o sr. José Joaquim Talaya, governador da praça, da outra parte, convieram nos artigos seguintes:
1º - A Praça de Campo Maior será entregue às tropas de sua majestade o imperador e rei, amanhã, dia 22 de Março, pelas duas horas da tarde se, durante este tempo, a praça não for socorrida. A guarnição ficará prisioneira de guerra e desfilará pela brecha, depondo as armas sobre a esplanada. Os Srs. oficiais sairão com as suas espadas e equipagens e os soldados com as suas mochilas.
2º - Os oficiais e soldados de milícias e ordenanças poderão retirar-se para suas casas, depois de terem jurado não servir contra os exércitos de sua majestade o imperador e rei e seus aliados.
3º - Os portugueses e espanhóis feridos serão tratados com consideração e, quando estejam restabelecidos, serão sujeitos aos artigos da capitulação.
4º - Os habitantes serão respeitados nas suas pessoas e propriedades e não poderão ser inquietados pelo que fizeram antes de se render a praça.
O S.r governador fica autorizado a voltar para sua casa em contemplação à sua avançada idade e moléstias, depois de dar a sua palavra de honra de não tomar armas contra o exército de sua majestade o imperador e rei e seus aliados.
(Seguem-se as assinaturas do general e do governador).

A guarnição desfilou pela brecha, em conformidade com o artigo 1º da capitulação. Mas, a pequena força que saiu dos muros fez crer a Girard que a maior parte ficara dentro e, nessa persuasão, disse para Talaya:

            - “Senhor governador, mande sair o resto da guarnição”.
            - “Está aí toda, senhor barão, respondeu aquele”.

Girard enfiou e houve-se por afrontado. Os seus oficiais, esses tiraram melhor partido do caso: Riram-se da pilhéria, fazendo diversão com o garbo negativo dos milicianos.

No dia 25 os franceses evacuaram precipitadamente a praça porque, tendo passado ao Alentejo o exército anglo-lusitano às ordens de Beresford e entrado a 20 em Portalegre, a 25 estaria o marechal na herdade do Reguengo, dez quilómetros distante da vila.

Francisco Galego