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Elvas comemora 360 anos da Batalha das Linhas de Elvas com presença do Ministro da Defesa


O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, vai presidir às cerimónias de comemoração dos 360 anos da Batalha das Linhas de Elvas, na segunda-feira, dia 14 de Janeiro, feriado municipal naquela cidade alentejana.
O programa deste dia contempla ainda, para além das habituais actividades militares e militarizadas, a entrega da Medalha de Ouro do Concelho ao Exército Português, aprovado pela Câmara Municipal de Elvas, em 20 de Dezembro passado.
O ponto alto das comemorações acontece, no feriado municipal, segunda-feira, com o programa a ter início pelas 9.30 horas, com o hastear das bandeiras, nos Paços do Concelho, com a participação da Banda 14 de Janeiro.
Meia hora depois, no Sítio dos Murtais, decorre a romagem ao Padrão comemorativo da Batalha das Linhas de Elvas e cerimónia de Homenagem aos Mortos, e, pelas 10.30 horas, a romagem ao Túmulo do General André de Albuquerque Riba-Fria, no Convento de São Francisco.
As cerimónias militares e militarizadas, na Praça da República, têm início pelas 11 horas, seguindo-se pelas 12 horas, o desfile das Forças em Parada, na Rua da Cadeia.
À tarde, na Igreja da Sé, acontece um Te Deum de Acção de Graças, com a participação do Coro Beato Aleixo Delgado, a partir das 18 horas, e presidido pelo Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, culminando o programa deste dia com o concerto da Orquestra Ligeira do Exército, no Cine-Teatro Municipal, pelas nove e meia da noite.
Neste dia, é ainda assinalado o 141º aniversário do Centro Artístico Elvense, a partir das 15 horas, e o 64.º aniversário da Banda 14 de Janeiro, a partir das 19 horas, nas sedes das colectividades, Praça da República e Rua Sá da Bandeira respectivamente.

Há 151 anos, dia 13 de Dezembro de 1867 população de Campo Maior faz greve geral




Há precisamente 151 anos, a população de Campo Maior insurgiu-se contra uma decisão que extinguia o concelho e o anexava ao concelho de Elvas. Actualmente, e em memória desse facto, existe uma rua na vila precisamente com o nome de Rua 13 de Dezembro (Antiga Rua da Fonte de Cima, conhecida como A Canada). Este é um episódio da História de Campo Maior que o Campomaiornews aqui quer relembrar.

História da Vila de Campo Maior

Origem do nome: A lenda diz que a povoação foi fundada por vários chefes de família que viviam dispersos no campo e resolveram agrupar-se para uma maior protecção. Descobrindo um espaço aberto, um diz para os outros: "Aqui o campo é maior".Vestígios de proveniência diversa permitem concluir que o actual território do concelho de Campo Maior foi habitado desde a época Pré-Histórica.
Certamente foi uma Povoação Romana, dominada por Mouros durante meio milénio e conquistada por cavaleiros cristãos da família Pérez de Badajoz em 1219, que posteriormente ofereceram a aldeia pertencente ao concelho de Badajoz à Igreja de Santa Maria do Castelo.
Em 31 de Maio de 1255, D. Afonso X, rei de Leão, eleva-a a Vila.
O Senhor da Vila, o Bispo D. Frei Pedro Pérez concede, em 1260, o primeiro foral aos seus moradores assim como o seguinte brasão de armas : N. Sr.ª com um cordeiro, e a legenda “Sigillum Capituli Pacensis”.
Em 31 de Maio de 1297, através do Tratado de Paz de Alcanizes assinado em Castela por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela.
Campo Maior vai pertencer sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis, em 1301 ; a D. Afonso Sanches, filho ilegítimo do mesmo rei, em 1312 ; e novamente ao rei D. Dinis em 1318.
O seu castelo que se ergue a leste da vila foi reedificado por D. Dinis em 1310, e foi no século XVII e XVIII que se levantaram fortificações tornando Campo Maior numa importante praça forte de Portugal.
Como reflexo da influência castelhana em Campo Maior, durante a Revolução de 1383-85, a guarnição militar e os habitantes da vila colocam-se ao lado do rei de Castela, tornando-se necessário que o Rei D. João I de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira se desloquem propositadamente ao Alentejo com os seus exércitos para a cercarem durante mais de um mês e meio e ocuparem pela força, em fins de 1388.
D. João II deu-lhe novo brasão: um escudo branco, tendo as armas de Portugal de um lado, e de outro S. João Baptista, patrono da vila.
Em 1512, o rei D. Manuel I concede foral à vila de Campo Maior.
Desde os fins do Século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiam-se em Portugal. A população de Campo Maior vai aumentar substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses foragidos.
A comunidade judaica ou rotulada como tal era tão numerosa na vila no Século XVI que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.
A guerra com Castela a partir de 1640 vai produzir as primeiras grandes transformações. 
A necessidade de fortificar a vila que durante os três últimos séculos se desenvolvera acentuadamente para fora da cerca medieval, a urgência em construir uma nova cintura amuralhada para defesa dos moradores da vila nova dos ataques dos exércitos castelhanos, vai obrigar o rei a enviar quantias avultadas em dinheiro, engenheiros militares, operários especializados e empregar um numeroso contingente de pessoal não qualificado. Os contingentes militares são então numerosos. Calcula-se que na Segunda metade do Século XVII, em cada quatro pessoas residentes na vila, uma era militar. Campo Maior foi, durante algum tempo quartel principal das tropas mercenárias holandesas destacadas para o Alentejo. A vila torna-se naquele tempo o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas.
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes; o invasor ao pretender entrar por aí, sofre pesadas baixas que o obrigam a levantar o cerco.
No dia 16 de Setembro de 1732, pelas três da manhã, desencadeia uma violenta trovoada, o paiol, contendo 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, situado na torre grande do castelo é atingido por um raio, desencadeando de imediato uma violenta explosão e um incêndio que arrastou consigo cerca de dois terços da população.
D. João V determina a rápida reconstrução do castelo. A vila vai erguer-se lentamente das ruínas e aos poucos refazer-se para voltar a ocupar o lugar de primeira linha nos momentos de guerra e de local de trocas comerciais e relacionamento pacífico com os povos vizinhos de Espanha, nos tempos de paz.
No Século XVIII termina a construção das actuais Igrejas da Misericórdia e da Matriz, e lança-se a primeira pedra para a fundação da Igreja de S. João. A vila que até então só tivera uma freguesia urbana é dividida nas duas actuais, Nossa Senhora da Expectação e São João Baptista, em 1766.
Os primeiros anos do Século XIX são em Campo Maior de grande agitação. Um cerco, em 1801, pelos espanhóis e uma revolução local, em 1808, contra os franceses que então invadiram Portugal o comprovam.
A sublevação campomaiorense contra a ocupação napoleónica vai sair vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz que permanece na vila durante cerca de três anos.
Em 1811 surge uma nova invasão francesa que fez um cerco cerrado durante um mês à vila, obrigando-a a capitular. Mas a sua resistência foi tal que deu tempo a que chegassem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford, que põe os franceses em debandada, tendo então a vila ganho o título de Vila Leal e Valorosa, título este presente no actual brasão da vila.
As lutas entre liberais e absolutistas em Campo Maior são também acontecimentos assinaláveis.
A «cólera morbis» mata, em 1865, durante cerca de dois meses e meio, uma média de duas pessoas por dia.

Em 1867, tentam extinguir Campo Maior como sede de concelho, agregando-lhe Ouguela e anexando-o ao concelho de Elvas. Tal decisão provoca um levantamento colectivo da povoação, que em 13 de Dezembro, entra numa verdadeira greve geral.

O concelho é definitivamente acrescido da sua única freguesia rural, em 1926 – Nossa Senhora dos Degolados.

Dia 1 de Dezembro, comemoram-se os 378 anos da Restauração da Independência de 1640


Hoje, dia 1 de Dezembro, comemora-se o Dia da Restauração, que teve lugar há 378 anos, no ano de 1640. Por ser uma data importante, o Campomaiornews aqui deixa uma resenha da história associada a esta data.

"Dá-se o nome de Restauração ao regresso de Portugal à sua completa independência em relação a Castela em 1640, depois de sessenta anos de regime de monarquia dualista (1580-1640) em que as coroas dos dois países couberam ambas a Filipe II, Filipe III e Filipe IV de Castela.Nos anos imediatamente anteriores a 1640 começou a intensificar-se o descontentamento em relação ao regime dualista em parte dos membros da classe aristocrática, dos eclesiásticos (principalmente os jesuítas, que exploraram nesse sentido as crenças sebastianistas – e, em geral, «encobertistas») e acaso também entre os interessados no comércio com as províncias ultramarinas do Atlântico. (…) A má administração do governo espanhol constituía uma grande causa de insatisfação dos Portugueses em relação à união com Castela. Dessa má administração provinha o agravamento dos impostos. (…) A 6-VII-1628 era expedida a carta régia que, sem o voto das Cortes (por tradição, indispensável para que se criassem novos tributos), mandava levantar, por meio de empréstimo forçado, as quantias necessárias para a defesa, durante seis anos, de todos os lugares dos nossos domínios ameaçados pelos estrangeiros. A população mostrou logo a sua má vontade. (…) A tensão agravou-se quando o clero (cujos privilégios o isentavam de tais imposições) se viu também incluído na colecta geral. (…) Também no Ultramar surgiram protestos. (…) Em 1635 era estendido a todo o reino o imposto do «real de água», bem como o aumento do das sisas. Em 1634 confiava Olivares o governo de Portugal a uma prima co-irmã de Filipe IV, a princesa Margarida, viúva de Vicêncio Gonzaga, duque de Mântua. Ao mesmo tempo (fins de 1634) Miguel de Vasconcelos era transferido do seu posto de escrivão da Fazenda para as elevadíssimas funções de secretário de Estado, em Lisboa, junto da duquesa, cargo em que teve ensejo de desagradar muito aos Portugueses não partidários de Castela. (…) Num escrito editado em 1641, sob o título Relação de tudo o que se passou na felice aclamação, declara-se que D. António de Mascarenhas «fora a Évora a amoestar aos cabeças daquela parcialidade que não desistissem do começado e que, para que a empresa tivesse bom sucesso, pedissem amparo à Casa de Bragança». Era no duque, com efeito, que se pensava para chefe da insurreição e futuro monarca de Portugal independente; mas ele não achava oportuno o momento para tão grande aventura, e tratou de dar provas públicas de que reprovava a ideia. É de notar, todavia, que aos incitamentos internos se acrescentava um exterior, provindo da França, (…) então em luta com a Espanha, [que] se empenhava em impelir Portugal e a Catalunha contra o governo de Madrid. (…) Em 1638 tomou o conde-duque uma outra resolução que descontentou a nossa gente: a pretexto de os consultar sobre uma projectada reforma da administração do nosso País, convocou a Madrid grande número de fidalgos, e ordenou levas de tropas para servir nas guerras que a monarquia espanhola sustentava, sangrando assim Portugal das suas maiores forças. (…) O que veio dar mais impulso à ideia da independência foram as novas exigências do conde-duque. Em Junho de 1640, com efeito, insurgia-se a Catalunha, e Olivares pensou em mandar portugueses a combater os catalães revoltados, ao mesmo tempo que se anunciavam novos impostos. (…) Aderiram à conjura o juiz do povo, os Vinte e Quatro dos mesteres e vários eclesiásticos, entre os quais o arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunha. Deram também a sua colaboração o doutor Estêvão da Cunha, deputado do Santo Ofício, e D. António Telo. Em Outubro realizou-se uma reunião conspiratória no jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, D. Luísa de Gusmão. (…) Chegado a Lisboa a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convocou os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se estudar em pormenor o plano do levantamento, amiudando-se as reuniões. Por fim, marcou-se o momento de sublevação: 9 horas da manhã de sábado, 1.º de Dezembro. Na noite de 28 para 29 surgiram complicações, por haver quem julgasse que eram poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem quiseram encarregar de transmitir ao duque o intuito de se adiar, opôs-se tenazmente a tal ideia, numa discussão que se prolongou até as 3 horas da manhã. (…) O dia 1.º de Dezembro amanheceu de atmosfera clara e muito serena. Tinham-se os conjurados confessado e comungado, e alguns deles fizeram testamento. Antes das 9 horas foram convergindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Soadas as nove horas, dirigiram-se os fidalgos para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha por objectivo assaltar o forte contíguo ao palácio e dominar a guarnição castelhana, apenas os que deveriam investir no paço iniciassem o seu ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Estava restaurada a independência…"


Bibliografia: In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada, Vol. 25, Lisboa/Rio de Janeiro, 1978, pp. 317-319.

Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior decorre a bom ritmo (c/fotos)




As obras de requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior continuam a decorrer a bom ritmo. Na sua página do facebook, o Município publicou uma série de fotografias que ilustra o andamento das obras.
"REQUALIFICAÇÃO DA FORTIFICAÇÃO ABALUARTADA DE CAMPO MAIOR - Um olhar diferente sobre uma das mais importantes obras do nosso concelho", é assim que é introduzida a série de fotografias.
Nem sempre se consegue demonstrar a grandeza de um projecto ou a amplitude que este alcança numa só fotografia, quer no contexto de obra como também na consideração social e económica que compreende ou mesmo na sua importância à escala regional e/ou nacional.
A Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior é neste momento um projecto cheio de vida e dinâmica, que “muda” de dia para dia e nos proporciona diferentes “olhares” na sua complexidade.

FOTOS DA REQUALIFICAÇÃO DA FORTIFICAÇÃO ABALUARTADA DE CAMPO MAIOR


Assinalam-se hoje, dia 5 de Outubro, 108 anos da Implantação da República Portuguesa


Hoje é dia 5 de Outubro e assinalam-se os 108 anos da Implantação da República Portuguesa. Em Campo Maior, para assinalar a data, a Banda 1º de Dezembro efectuou, logo pela manhã, uma arruada pelas artérias da vila.
A implantação da República em Portugal foi levada a cabo por um movimento de cidadãos apoiantes do republicanismo nacional, a 5 de Outubro de 1910. Estes cidadãos não concordavam que Portugal fosse governado pela monarquia. Chefiados por Teófilo Braga, os cidadãos procederam a um golpe de estado, destituíram a monarquia constitucional e implantaram o regime republicano.
Após a proclamação da República foi criado um governo provisório chefiado por Teófilo Braga. Em Agosto de 1911 foi aprovada uma nova Constituição, tendo início a Primeira República Portuguesa.
Com esta mudança foram alterados alguns símbolos do país como o hino e a bandeira nacional, que passou de azul e branca para verde e vermelha.

Requalificação das Muralhas, do Castelo e Praça de Armas de Ouguela, praticamente concluídas


A obra de recuperação da Praça de Armas do Castelo e toda a sua envolvente, com a necessárias intervenções na Cisterna e de conservação e restauro das muralhas medievais, e as obras do Percurso Interpretativo da Muralha Exterior de Ouguela está praticamente concluída.
Estes projectos têm decorrido há uns meses e irão dar uma nova imagem e renovada dignidade a esta fortificação, tornando-a mais atractiva a todos aqueles que diariamente visitam Ouguela.

Notícias relacionadas:


NOTAS DE LEITURA, SOBRE HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR - II - A FORTIFICAÇÃO


A FORTIFICAÇÃO

Texto de Estêvão da Gama, in Notícias da antiguidade, aumento e estado presente da Villa de Campo Maior...Publ. por Rui Rosado Vieira, em 1993):

         “É esta Vila fortificada ao moderno, como uma das praças principais das fronteiras.
O seu recinto se ocupa com o Baluarte de S. João (1) e o de Santa Cruz, entre os quais os fossos que lhes correspondem são cheios de água, a que chamam o Lago e o Laguinho (2). Têm muita tenca e excelentes pardelhas (3). Conservam-se todo o ano com abundância de água que recebem dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho. Ao Baluarte de S. Cruz se segue uma cortina (4) muito grande e, no remate dela, fica-lhe cavaleiro (5) o meio baluarte a que chamam do Curral dos Coelhos. A este se segue o que chamam Baluarte de Lisboa e a ele o Baluarte de S. Sebastião entre os quais está a porta da Vila que chamam de Santa Maria. Segue-se o Baluarte da Boa Vista, a este o Meio baluarte de Santa Rosa, que de novo se fabrica (6), a ele o Baluarte de São Francisco, o Baluarte da Fonte do Concelho e o Baluarte do Pixa Torta (7), cuja cortina fecha a Praça no Baluarte de S. João e nela está situada a porta principal que chamam de S. Pedro (8).
Tem excelentes fossos, bastantes esplanadas, estradas encobertas e, em algumas partes, contra-escarpas (9).
Tem seis revelins, dois fortes, o principal se chama  Forte de S. João (10) para a parte do nascente, o outro de Forte do Cachimbo, para a parte do meio-dia (11). E, porque há outra narração que lhe dá diferentes sítios, se põem estes que são os verdadeiros.
Esta fortificação principiou-a D. João IV e a têm continuado a Rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI, El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V que Deus guarde.
Mas, sem embargo de não estar acabada e ter muitas imperfeições, resistiu ao Sítio que lhe moveram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712 (12), governando aquele exército o Marquês de Bay e as nossas armas Pedro de Mascarenhas e a Praça Estêvão da Gama de Moura e Azevedo.”
(...) “É Campo Maior uma das praças mais importantes da Província do Alentejo fronteira de Badajoz, sem que, entre uma ou outra, haja rio ou serra que possam impedir as operações de cavalaria, está fronteira a Albuquerque que é a segunda praça da Província da Estremadura.”
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Notas explicativas:
(1) O Baluarte de S. João, era vulgarmente designado como "Cavaleiro" por ter no meio uma construção mais elevada..
(2) Estes fossos designados militarmente como "fossos molhados", eram muito eficazes em termos defensivos sendo raros em Portugal.
(3) Alguns documentos da época referem que estes peixes eram usados como alimento pela população.
(4)  Uma cortina de muralha.
(5) Na parte de cima.
(6) Que estava a ser reconstruido quando foi escrito este texto.
(7) Era assim designado pela população, mas o seu nome oficial era o de Baluarte do Príncipe, em homenagem ao principe D. João que, devido à doença mental de sua mâe, a rainha D. Maria II, teve de assumir o governo do reino, sendo depois coroado  como D. João VI.
(8) Durante muito tempo, a população designava-a como "a Porta Nova" e ficava no topo da rua onde se localiza agora a CURPI, dando abertura para o Largo dos Cavajais. Foi demolida por decisão da Câmara Municipal, em 1908.
(9) Os muros que, pelo lado de fora, delimitavam os fossos que cercavam as muralhas da fortaleza.
(10) Foi demolido. No terreno que ele ocupava foi depois construido o Estádio Capitão César Correia.
(11) Ainda são visíveis alguns muros para o lado direito de quem sai à Porta da Vila.
(12) Este cerco durou cerca de um mês, tendo o exército sitiante retirado por cansaço das tropas, desgaste dos materiais e chuvadas intensas que dificultavam a manutenção das trincheiras.

Francisco Galego

NOTAS DE LEITURA, SOBRE HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR - I - O CASTELO


O CASTELO

O castelo de Campo Maior é obra muito antiga e muito forte tanto pela razão do sítio como pelas torres e muros. Foi fabricado pelos mouros (1) e reparado pelo rei D. Dinis que levantou a maior torre que nele há e, por essa razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador. Os romanos lhe deram o nome com muita propriedade porque daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.(2)

Segundo o  Dr. Ayres Varella, Teatro das antiguidades de Elvas,
(In, Estêvão da Gama, p. 29)

Porém duvidamos que a povoação fosse fundada no sítio onde está o castelo. Talvez no sítio de S. Pedro no qual há uma ermida e onde, segundo fontes muito antigas haveria uma fortaleza ou atalaia dos romanos.(3)
Dista a Ermida de S. Pedro da povoação de hoje dois mil passos em terreno plano, com um vale muito fresco, capaz e hortas e pomares, com água nativa e conserva um chafariz que é do concelho desta vila. Estamos persuadidos de que neste campo, por ser o maior que há nestas vizinhanças, fundaram os romanos este povo, obrigados por um acampamento em que se fixaram como sucedeu nas outras mais povoações que fundaram, como é sabido. Neste campo de S. Pedro se acham as ruínas, cimentos, sepulcros, além de colunas. Distante um quarto de légua, conserva-se um muro de pedra e cal que corta um pequeno ribeiro e a que ainda hoje se chama Muro da Represa, que servia para que os gados dos moradores bebessem nele.
(Estêvão da Gama, Notícias da antiguidade, aumento e estado presente da Villa de Campo Maior... p. 30)

Outras fontes documentais referem que:(…) o castelo e a povoação que nele se desenvolveu foram fundados pelos  mouros porque este buscavam os lugares altos para fazerem as suas fortalezas. Com o seu desenvolvimento acabou a povoação de S. Pedro.
- A vila foi restaurada depois pelos Peres de Badajoz no ano de 1219 que a deram ao bispado da cidade para sua fábrica. Depois,  com o Tratado de Alcanizes (1297), foi integrada no reino de Portugal. Logo que El-Rei D. Dinis entrou na posse da vila reparou-lhe o castelo.
(Idem, ibidem)
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(1) Não conheço provas documentais que comprovem esta suposição.
(2) Na verdade os romanos usavam esta expressão Campus Major para designar campos extensos, bastante planos e abertos, logo muito aptos para o aproveitamento agrícola.
(3) Neste local designado como Ad Septem Aras, que se pode traduzir à letra como "Dos Sete altares", passava uma estrada romana. O nome permite formular a hipótese de ter sido um local de apoio para os que, em viagem, necessitariam de apoio religioso, de condições de higiene, de descanso e mesmo de enterramento dos seus mortos em chão sagrado..

Francisco Galego

ANTIGOS JORNAIS DE CAMPO MAIOR ( II ) - O Notícias de Campo Maior


O NOTÍCIAS DE CAMPO MAIOR

João Ruivo foi a alma do jornal O Campomaiorense que, numa primeira fase de publicação, durou de 1921 a 1923.
Durante este período o jornal procurou manter-se imparcial e acima das lutas partidárias. Embora João Ruivo fosse um activo militante republicano, era seu entendimento e sua prática que o jornalismo devia usar do máximo de neutralidade e democraticidade mantendo-se equidistante em termos de opiniões político-partidárias.
A falta de recursos económicos, o peso excessivo das despesas e a fraca adesão dos leitores numa terra onde imperava o analfabetismo, ditaram a necessidade de procurar uma solução que viabilizasse a continuação do jornal.
Um outro grupo de jovens, quase todos ligados a famílias de grandes proprietários agrícolas, alguns com cursos superiores, tomaram o encargo de fazer sair o jornal, começando assim a 2ª fase da sua publicação, que iria durar de 1924 a 1927.
Este grupo agia sob a liderança do Dr. Francisco Telo da Gama personalidade que durante muito tempo marcou profundamente a vida de Campo Maior, quer  na chefia do município, quer como governador civil do distrito e mesmo como membro do governo, na função de secretário de Estado.
A partir de certa altura, a colagem do jornal a tendências políticas que pugnavam por soluções políticas de carácter autoritário, levou o antigo grupo fundador a reagir criando outro jornal, intitulado  – Notícias de Campo Maior – ficando assim a vila com dois jornais a publicarem-se simultâneamente, nos anos de 1926 a 1928.
Depois, seguiu-se a Ditadura Militar que resultou da vitória do golpe de Estado levado a efeito por militares em 28 de Maio de 1926. A acção inibidora da censura, a suspensão das liberdades democráticas e a saída de Campo Maior de João Ruivo, ditaram o encerramento do Notícias de Campo Maior a partir 1 de Junho de 1929.
O Campomaiorense que já tinha suspendido a sua publicação em 14 de Abril de 1927, voltaria a publicar-se nos anos de 1933 a 1935, então já com um total alinhamento com o Estado Novo e com a ideologia do corporativismo salazarista.

ANTIGOS JORNAIS DE CAMPO MAIOR ( I ) - O Campomaiorense.


O CAMPOMAIORENSE

O primeiro jornal que Campo Maior teve apareceu no ano de 1921, vivia Portugal um período agitado e de grande instabilidade social e política. Os governos mudavam devido a uma alucinante sucessão de golpes de estado, de revoltas e de desencontradas votações no parlamento.
Muitos, desencantados e cansados de tanta perturbação, procuravam formas alternativas de intervenção social desviando-se da turbulência dos acontecimentos políticos.
Um grupo de jovens campomaiorenses que viriam a constituir-se numa associação que significativamente adoptou o nome de Pró Terra Nostra, (Pela Nossa Terra), resolveu criar um jornal – O Campomaiorense – em torno do qual se pudessem realizar acções que promovessem o desenvolvimento de Campo Maior.
Eram jovens que podemos considerar de classe média, com algumas bases culturais, distribuídos por diversas profissões e condições sociais: funcionários públicos, comerciantes, empregados no comércio, agricultores, estudantes e alguns dedicados aos ofícios artesanais que então existiam em número significativo na vila.
O Campomaiorense foi o primeiro jornal que Campo Maior teve. Este projecto, como sucede com quase todos os empreendimentos humanos, fez-se sob a liderança de um homem que marcou profundamente a vida de Campo Maior durante os anos vinte do século passado. Chamava-se João Ruivo. Era filho de um mestre-de-obras que deixou algumas construções notáveis na vila, como o Lagar União já desaparecido e o Bairro Operário.
João Ruivo que tinha combatido como voluntário na 1ª Grande Guerra, exerceu funções importantes como funcionário da câmara municipal, onde chegou a chefiar os serviços administrativos e a ocupar por algum tempo o cargo de administrador do concelho. Autodidacta inteligente e aplicado, conseguiu adquirir uma sólida cultura. Foi correspondente de vários jornais de Lisboa, entre eles O Século e o Diário de Notícias, colaborou em vários jornais regionais como Brados do Alentejo, de Estremoz e o Montes Claros de Borba, a Democracia do Sul e o Notícias D’ Évora e, de Elvas, A Fronteira e o Linhas de Elvas.

CAMPO MAIOR NA CONJUNTURA DAS INVASÕES FRANCESAS, por Francisco Galego


(Por esta época, Campo Maior teria cerca de 5.000 habitantes)
No dia 1 de Dezembro de 1807, tinha entrado nesta vila o regimento de Guardas Walonas e um batalhão do Regimento de Córdova, que saíram no dia seguinte.(1)
No dia 11 do mesmo mês, entrou na vila o Regimento de Múrcia, que no dia 13, continuou a sua marcha.
No dia 8 de Janeiro de 1808, um batalhão dos Granadeiros Provinciais de Castela e no dia seguinte mais um batalhão do mesmo corpo, ficaram a fazer a guarnição da Praça, que só evacuaram em 16 de Março.
O comando espanhol tinha determinado que esta guarnição fosse sustentada à custa do povo, mas o Juiz de Fora conseguiu livrá-lo desta obrigação, vindo a mesma a ser assegurada pela Administração de Badajoz.
Um sargento-mor da Praça procurou revoltar o povo contra a frouxidão do governo português que tinha abandonado o Reino deixando-o em tão penosa situação. Mas o povo preferiu cumprir as ordens deixadas pelo príncipe regente e nada faltou ao fornecimento das tropas, sendo em parte providas pelo “Assento militar das provisões de boca” e, em parte, pelas pessoas particulares às quais eram passados escritos de divida, que nunca vieram a ser pagos. (2)
Campo Maior pode, contudo, considerar-se um dos Povos menos vexados pelos franceses.
O comando francês teve por mais acertado abandonar a Praça de Campo Maior. Em consequência deste abandono, os seus armazéns foram espoliados de toda a pólvora, munições e apetrechos de guerra, as armas dos particulares foram guardadas em depósito. O Regimento Nº 20 que constituía a sua guarnição, foi extinto e uma parte dele mandada para França. Esta extinção foi declarada no dia 14 de Maio de 1808. Os arquivos, espingardas e mais utensílios militares foram mandados para Elvas.(3)
Igual espoliação se verificou quanto ao Hospital Real Militar e ao Assento. Mas a povoação foi deixada em paz. À excepção de um Regimento de Suíços que entrara nesta Praça no dia 12 de Março e saiu no dia 13, não mais se viu tropa francesa, o que não foi pequena fortuna.
(Segundo o Padre João Mariano, p. 38 a 46)
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 (1) A Espanha tinha-se aliado submissamente ao poder militar de Napoleão, imperador dos franceses.
(2) Para escapar aos franceses que estavam quase a chegar a Lisboa e que o obrigariam a renunciar à coroa e à independência de Portugal, a favor de Napoleão Bonaparte, o príncipe D. João, depois coroado como D. João VI, que assumira a regéncia em nome de D. Maria I sua mãe, mentalmente afectada e incapaz de governar, embarcara com a família real e a corte para o Brasil em 21 de Janeiro de 1808, deixando recomendado que não se oferecesse resistência às tropas francesas.
(3) Esta expoliação e desarme ainda tornou mais notável o sucesso da revolução de 2 de Julho de 1808 que expulsou de Campo Maior as tropas espanholas ocupantes desta praça de guerra.

Francisco Galego

RETALHOS DE HISTÓRIA DA VILA DE CAMPO MAIOR..., por Francisco Galego


A primeira igreja matriz de Campo Maior, dedicada a Santa Clara, ficava dentro dos muros do primitivo castelo, no local onde agora se situa um armazém que, até ao início do século XX, serviu de salão para festas, bailes, representações teatrais e outros divertimentos. Este edificio ainda conserva na sua fachada a bilheteira que dá testemunho desta utilização.  
O crescimento da vila e da população, entre os séculos XII e XVI, tornou esta igreja demasiado pequena e de difícil acesso, porque localizada fora da nova zona urbana para onde crescera a povoação. Daí a necessidade de ser construida uma nova igreja. A igreja foi dedicada a Nª Sr.ª da Expectação, nome que foi também dado a uma das duas freguesias urbanas que existem em Campo Maior.
Esta nova matriz que o povo durante muito tempo designou como a “Igreja Nova”, foi construida entre 1570 e 1646. No seu patio lateral leste, foi construida a Capela do Calvário, em 1707. Nos meados do séc. XVIII procedeu-se à colocação dos altares, das tribunas, do cadeiral do altar-mor e à pintura do altar do Santíssimo Sacramento.
Em 1766, no mesmo pátio lateral, foi construída a Capela dos Ossos, em memória das mortes provocadas pela explosão do paiol que estava na torre de menagem, por efeito de um raio, durante uma trovoada, em 16 de Setembro de 1732, entre as três e as quatro horas da madrugada. Das cerca de mil habitações que compunham a vila, cerca de 800 ficaram total ou parcialmente destruidas. A própria igreja matriz ficou muito danificada. Igrejas, conventos e edifícios em geral, sofreram os desastrosos efeitos da explosão.
Numa população de cerca de 5.000 habitantes, morreram cerca de 250 pessoas e ficaram feridas cerca de 2.000.
Graças à rápida decisão de D. João V que ordenou que se acudisse com importante socorro, a vila foi restaurada em pouco tempo para que pudesse acolher a população sobrevivente e para garantir a sua função de praça de guerra, defendendo a fronteira de qualquer tentativa de invasão que poderia ocorrer. E a memória de tal possibilidade estava bem presente devido ao cerco sofrido em 1712 que, devido a uma tenaz resistência, tão importante fora para garantia da independência, da paz e da segurança do nosso território.

Francisco Galego

Obras que decorrem na aldeia histórica de Ouguela visitadas pelo Presidente e Vereador da autarquia campomaiorense


O Presidente do Município, Ricardo Pinheiro e o Vereador Luís Rosinha visitaram esta manhã as obras que neste momento decorrem na aldeia histórica de Ouguela: a obra de recuperação da Praça de Armas do Castelo e toda a sua envolvente, com a necessárias intervenções na Cisterna e de conservação e restauro das muralhas medievais, e as obras do Percurso Interpretativo da Muralha Exterior de Ouguela.
Estes projectos decorrem durante os próximos meses e irão dar uma nova imagem e renovada dignidade a esta fortificação, tornando-a mais atractiva a todos aqueles que diariamente visitam Ouguela.

Notícia relacionada:

Comemorações do 25 de Abril em Campo Maior com várias actividades a partir de amanhã


Comemorações dos 44 anos do 25 de Abril têm início amanhã em Campo Maior. Para assinalar a data da "Revolução dos Cravos", o Município de Campo Maior preparou uma série de actividades, de acordo com o seguinte programa:

3.ª feira | 24 de Abril
Praça da República
21:30H - Animação Musical com Nélson Caldeira

00:00H - 25 Morteiros de Abril e Hastear da Bandeira Nacional ao som de «A Portuguesa» interpretada pela Banda 1º de Dezembro

4.ª feira | 25 de Abril
09:30H - Hastear da Bandeira Nacional em várias instituições do Concelho com arruada da Banda 1º de Dezembro

Degolados - Campo de Jogos Rogério Martins
10:00H - Jogos Tradicionais e Atividades para Crianças

Jardim Municipal
10:00H - Actividades Desportivas para crianças

O MAJOR TALAYA - COMANDANTE DA PRAÇA DE CAMPO MAIOR DURANTE O CERCO DE 1811, por Francisco Galego


José Joaquim Talaya, nascido em Lisboa, na Freguesia da Ajuda, em 16 de Dezembro de 1757, pertencia a uma família de militares, muito prestigiada nas várias academias que, nesse tempo, constituíam os centros culturais e de convívio dos mais ilustrados.
Tendo já obtido a promoção em capitão, ligou-se pelo casamento a outra família de militares, a dos Silva Villar, casando, em 31 de Janeiro de 1799, com D. Rosa Clara Maria, filha legítima de um capitão e irmã de oficiais que se distinguiram como soldados das forças liberalistas, tal como os quatro filhos resultantes desse casamento, que também adoptaram a luta pela implantação e defesa do Liberalismo.
Tendo iniciado a sua carreia militar como oficial de infantaria, Talaya passou, depois dos estudos necessários, para a especialidade de engenheiraria militar.
Nomeado administrador da Real Fábrica da Pólvora em Barcarena, cargo que desempenhou durante alguns anos, em 29 de Abril de 1793 foi distinguido com a Ordem de S. Bento de Aviz, pela “distinção, zelo, honra, aplicação e actividade” com que desempenhou as suas funções.
Em 21 de Junho de 1800 foi promovido a sargento-mor.
Dez anos depois, o Major Talaya iria distinguir-se como comandante militar, numa situação muito difícil, como comandante militar da praça-de-guerra de Campo Maior.
Os antecedentes:
Devido à recusa de Portugal romper a sua aliança com os ingleses, em 28 de Fevereiro de 1801, a Espanha e a França declararam guerra a Portugal. As hostilidades começaram com a invasão do Alto Alentejo. As praças de guerra estavam muito pouco preparadas para a iminência do ataque.
A praça-de-guerra de Campo Maior sofrera um cerco em 1801. O exército português tinha-se estrategicamente retirado para lá do Tejo. Não havia, portanto, qualquer possibilidade de a praça ser socorrida.  Como quase todas as outras, esta praça de guerra dispunha de uma guarnição muito reduzida e estava muito mal armada. Tinha, interinamente, como comandante, o coronel de engenheiros Matias José Dias Azedo, que aí fora colocado para reparação das fortificações. No Alto Alentejo, só Elvas não foi ocupada.
Sabia-se que estava em Badajoz, numa delegação negociando a paz, estava um ministro português. 
Foi negociado o Tratado de Badajozassinado em 6 de Junho de 1801. Mas as tropas espanholas só abandonaram a praça de guerra de Campo Maior, no dia 22 de Novembro de 1801. Devido aos bombardeamentos e à acção dos soldados, franceses e espanhóis que a ocuparam quase meio ano, tanto a vila, como as estruturas da sua fortaleza, sofreram forte destruição.

Em 1810, o engenheiro militar Talaya, foi enviado para Campo Maior por William Beresford que organizara e comandava o exército portiguês, com o encargo de proceder à reparação das fortificações, fazendo executar os projectos elaborados pelo engenheiro militar Matias José Dias Azedo, seu antecessor, bem como outras obras que entendesse necessárias para colocar a praça em melhores condições de resistência.
Por essa altura, tendo falecido o governador da praça, o sargento-mor Talaya, teve de assumir o cargo de governador, à semelhança do que ocorrera com Dias Azedo, em 1801.
No início de 1811, começou a 3ª invasão francesa comandada por Massena.
Em 11 de Março de 1811, tropas francesas, comandadas por Soult, tomaram Badajoz. Soult deu indicações a Mortier para que tomasse Campo Maior.
Esta praça, além de uma guarnição muito escassa e com fraca preparação militar, estava muito mal provida de munições, pois tinha sido despojada após a sua rendição no cerco de 1801.
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Texto elaborado com “notas de leitura” das seguintes obras:
- Cláudio de Chaby - EXCERTOS HISTORICOS E COLLECÇÃO DE DOCUMENTOS RELATIVOS À GUERRA DENOMINADA DA PENÍNSULA E ÀS ANTERIORES DE 1801 E DO ROUSSILLON E CATALUNHA. Imprensa Nacional, 1863.
- O CÊRCO DE CAMPO MAIOR EM 1811- Comissão do 1º Centenário da Guerra Peninsular 1811-1911Lisboa, Imprensa Nacional, 1911.
- Luís Couceiro da Costa - MEMÓRIAS MILITARES DE CAMPO MAIOR. Editor – António Torres de Carvalho, Elvas, 1912.
UMA CELEBRAÇÃO MAIOR EM CAMPO MAIOR – O CERCO DE 1811. Campo Maior, 2011. Elab. por Francisco Pereira Galego. Ed. Município de Campo Maior, 26 de Março de 2011.
- Francisco Pereira Galego - CAMPO MAIOR NA OBRA DE JOÃO DUBRAZ - VOL. I - MEMÓRIAS HISTÓRICAS DE CAMPO MAIOR – Ed. Município de Campo Maior, 2017.

Francisco Galego

CAMPO MAIOR – A ANTIGA PRAÇA DE GUERRA, por Francisco Galego


É Campo Maior uma das praças mais importantes da Província do Alentejo, fronteira de Badajoz, sem que entre uma e outra haja rio ou serra que possam impedir as operações de cavalaria. Faz também fronteira  com Albuquerque que é a segunda Praça da Província da Estremadura. 
(...) É esta Vila fortificada ao moderno, como uma das praças principais das fronteiras. O seu recinto é formado pelo Baluarte de S. João (1) e o de Santa Cruz, entre os quais o fosso que lhes corresponde é cheio de água. À sua parte maior, que é a que envolve o Baluarte de S. João, chamam o Lago; à parte mais pequena,  a que envolve o Baluarte de Santa Cruz, chamam o Laguinho. Têm as suas águas, muita tenca e excelentes pardelhas (2). Conservam-se todo o ano com abundância de água que recebem dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho. Ao Baluarte de S. Cruz segue-se uma cortina muito extensa e, no remate dela, fica-lhe, a cavaleiro (3), o meio baluarte a que chamam do Curral dos Coelhos. A este segue-se o que se chama Baluarte de Lisboa. Entre este e o Baluarte de S. Sebastião está a Porta da Vilaa que chamam de Porta de Santa Maria. Segue-se o Baluarte da Boa Vista, a que se segue o Meio Baluarte de Santa Rosa, que está a ser restaurado;  a ele seguem-se, o Baluarte de São Francisco, o Baluarte da Fonte do Concelho e o Baluarte do Picha Torta (4), cuja cortina fecha a Praça no Baluarte de S. João e, nessa cortina, está situada a porta principal  da vila, a que chamam Porta de S. Pedro (5).
Tem excelentes fossos, bastantes esplanadas, estradas encobertas e, em algumas partes, contra-escarpas.Tem seis revelins, dois fortes, o principal chama-se Forte de S. João (6) e fica para a parte do nascente, o outro chamado  Forte do Cachimbo , fica mais para a parte do meio-dia (7).
Esta fortificação principiou-a D. João IV, tendo-a continuado a Rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI, El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V, que Deus guarde.
Mas, sem embargo de não estar acabada e ter muitas imperfeições, resistiu ao Sítio que lhe moveram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712, governando aquele exército o Marquês de Bay e as nossas armas Pedro de Mascarenhas e sendo governador da Praça, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo.”
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(In, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior, (pág.s 79 e 80).
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(1) Vulgarmente designado como "Cavaleiro".
(2) Os peixes costumam garantir a limpeza das águas. Mas, segundo testemunhos da época, estes peixes eram pescados e usados na alimentação pela população. Daí terá resultado uma continuada redução, provavelmente até à extinção.
(3) Sobreposto ou sotoposto.
(4) Este baluarte,aparecia assim nomeado nas plantas militares. Mas, porque esta designação deixou de ser apropriada, numa linguagem socialmente aceitável, passou a ser designado como Baluarte do Príncipe, em homenagem ao futuro D. João VI que, devido à instabilidade mental da rainha D. Maria I, sua mãe, era ele quem efectivamente, reinava em Portugal.  Este baluarte ocupava o espaço do quadrilátero irregular hoje confinado pela Avenida da Liberdade (lados N. e N.E.), pela Estrada Militar (lado S.) e pelo terreno ocupado pela Creche da Santa Casa da Misericórdia. Este espaço está agora  ocupado por prédios de habitação, por garagens e por armazéns. Da estrutura militar primitiva, restam apenas um pano de muralha, no lado virado a N. e outro confinando com o terreno onde está a Creche.  Ligava-se por uma cortina de muralha rodeada de fosso, orientada para S.E, com o baluarte da Fonte do Concelho e por outra cortina, com o Baluarte de S. João (dito a Cavaleiro), na direcção N.W.
(5) Por ter sido construída mais tardiamente, a chamada "Porta de S. Pedro" foi,  durante muito tempo, designada como  a "Porta Nova". Passou a ser o  principal acesso à vila, quando foi aberta uma nova ligação  à estrada para a cidade de Elvas que passava pela Fonte Nova, donde deriva também a estrada para Portalegre, passando por Degolados e Arronches.
(6) Era vulgarmente designado como "Forte das Pesetas". Foi depois demolido porque, devido à sua colocação e disposição, em caso de "sítio" constituiria uma posição perigosa, se ocupada pela artilharia das forças sitiantes.
(7) Ou seja, perto da estrada que, saindo pela porta de Santa Maria, faz a ligação à estrada para Elvas.

Francisco Galego

A DEFESA DE CAMPO MAIOR PELO MAJOR TALAYA, por Francisco Galego


Vejamos, numa listagem sucinta, os factos mais importantes da acção militar do Major Talaya, como comandante da praça de guerra de Campo Maior, durante o memorável Cerco de 1811:

Em 8 de Março, começou o cerco à fortaleza de Campo Maior pelo exército francês comandado pelo marechal Mortier que permanecia em Badajoz. Este mandou Girad cercar a vila que, organizado o cerco, intimou o Major Talaya, seu comandante, a render-se. Talaya recebeu os emissários, rodeado de artilheiros, milicianos, ordenanças e reformados do extinto regimento 20, mas fê-los comparecer fardados de oficiais de vários corpos para parecer que Talaya comandava uma numerosa guarnição.
Em 9 de Março, foi posto cerco à Praça por uma força de 4 a 5 mil sitiantes. Talaya dispunha de menos de 500 homens armados. Mas, porque sabia que Beresford estava a caminho, na esperança de ser socorrido, procurou resistir.  
Em 10 de Março, a cidade de Badajoz foi conquistada pelas forças francesas de Soult.
Em 13 de Março, Soult iniciou o regresso à Andaluzia com uma parte das forças que tinham estado concentradas em torno de Badajoz.
Em 16 de Março, deu-se o combate da Foz de Arouce, vencido o qual, Wellington obrigou o exército francês a continuar a retirada.
Em 20 de Março, Talaya negociou a rendição, na condição de só se efectuar se, até às 2 horas da tarde do dia 22, não fosse socorrido.
Talaya só tinha pólvora para mais um dia e os milicianos de Portalegre não queriam continuar a lutar. Contudo, com esta negociação ganhou a resistência por mais dois dias.
Em 22 de Março saiu, com honras militares, às 2 horas da tarde, com 30 artilheiros e alguns milicianos.
Em 24 de Março, entraram os franceses.
Em 25 de Março, os franceses retiraram à pressa devido à chegada de Beresford.
Em 3 de Abril, deu-se o combate de Sabugal, em que Wellington bateu Reynier e obrigou Massena a abandonar Portugal.
Em 5 de Abril, o exército francês comandado por Massena atravessou a fronteira entre Portugal e Espanha, em Aldeia do Bispo.
(Acabou assim a 3.ª Invasão de Portugal pelos franceses) 
Efectivamente, a acção do Major Talaya como comandante durante o Cerco de Campo Maior de 1811 foi, sobretudo muito notável, tendo em conta as dificílimas condições em que teve de actuar, devido à excassez de recursos. A Praça estava muito mal guarnecida de tropas, de munições, de equipamentos militares e de mantimentos, pois apenas dispunha de:
            -  45 artilheiros, com um equipamento constituido por:
            -  30 peças de artilharia;
            -  2 obuses, morteiros, pequenas quantidades de balas e de pólvora;
            -  230 homens de um regimento de milícias de Portalegre;
            -  300 ordenanças da vila, mas só havia armas para 100;
Em quase todas as referências à acção do Major Talya, como comandante durante o cerco de Campo Maior, sobressaem as que testemunham a maneira como ele procurou suprir as grandes dificuldades que tinha, tanto ao nível dos recursos humanos, como dos meios militares, para assegurar a defesa da Praça.
Recorrendo a uma estratégia fundada em inteligentes, prudentes e astutas tácticas, conseguiu iludir as dificuldades para ganhar a dilatação do prazo, até ao inevitável momento da rendição.
Simulou ter mais gente do que aquela de que realmente dispunha. Escondeu os pontos fracos de defesa. Iludiu dificuldades de resposta. Aparentou possibilidades que, na verdade, não existiam.
Recorrendo a uma estratégia de simulação, conseguiu ocultar a gravidade da situação que tinha de gerir. Com uma aparente serenidade evitou que se tornasse evidente a gravidade da situação que teve de enfrentar.
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NOTA: Como mera hipótese, consideremos que o Major Talaya, dados os tão fracos recursos de que dispunha (em homens, armas e munições), se tivesse desde logo rendido como antes tinha feito o governador de Olivença. Nesse caso, Campo Maior faria agora parte do terrotório português? Ou aí reside a razão de, até hoje, o  nome do Major Talaya constar na designação de uma das principais ruas desta vila que, devido à sua defesa em 1811, inclui no seu brasão as palavras:
LEALDADE E VALOR e
LEAL e VALOROSA VILA DE CAMPO MAIOR?

Francisco Galego

D. JOÃO V - UMA VISITA REAL A CAMPO MAIOR, por Francisco Galego


Nas casas de João de Aguiar Mexia(1), no Terreiro das Estalagens(2), se tem acomodado o Sr. Infante D. Francisco, as três vezes que tem vindo a esta Praça. Sendo a primeira em segunda-feira, 18 de Dezembro do ano de 1713, a segunda em 14 de Setembro de 1714 e a terceira em 13 do dito mês de Setembro de 1715.(3)
Nestas casas se fez aposentadoria para S. Majestade, que Deus guarde, no ano de 1716. De que não usou porque, vindo no dia 12 de Novembro a esta Praça, voltou no mesmo dia a Elvas, por causa da chuva que sobreveio (4).
João V, vinha acompanhado de seus irmãos, os Senhores Infantes D. Francisco e D. António, todos em coche e, com eles: o Marquês de Marialva, D. Diogo de Noronha, camarista de Sua Majestade; D. Duarte António da Câmara, depois Conde de Aveiras, camarista do Sr. D. Francisco; e Rodrigo de Melo da Silva, depois Conde de S. Lourenço, camarista do Sr. D. António. Acompanhava Sua Majestade, o Duque de Cadaval, D. Nuno Álvares Pereira, Mestre de Campo General junto à sua real pessoa e Governador das Armas da Província de Estremadura, o qual vinha a cavalo.
Governava esta Praça o Brigadeiro Estêvão de Moura e Azevedo, o qual teve ordem por carta do Secretário de Estado, Diogo Mendonça de Corte Real, escrita no dia antecedente, para que não fizesse nenhuma demonstração militar, nem política, porque S. Majestade estava incógnito e assim o ordenava (…)
O governador esperou El-Rei à entrada da porta da Praça com os Coronéis D. Felipe Alarcão de Mascarenhas, do Regimento de Infantaria; Martinho Afonso Mexia, do Regimento de Cavalaria; o Tenente Coronel de Cavalaria João da Rocha de Vasconcelos; o Sargento-Maior de Infantaria, Fernão da Mesquita Barba; o Sargento-Maior da Praça, Francisco da Silveira; e muitos outros oficiais.
Sua Majestade não se deteve e se foi apear à Igreja de S. João Baptista, aonde lhe beijaram as mãos os oficiais referidos e os da Câmara e algumas pessoas particulares. Daí passou a ver o Castelo e, na Praça de Armas estava formado o Regimento de Infantaria.
Subiu El-Rei à Torre Grande e dela viu toda a Praça e o terreno em que foram abertos os ataques para o Sítio do ano de 1712. Daí passou à Igreja Matriz onde foi recebido com Pálio e Te-Deum Laudamus e com mais cerimónias do ritual.
Tornou a entrar no coche e, sem mais demora, voltou a Elvas, desaprovando o dia a resolução de dormir uma ou duas noites nesta Praça, para o que tinha chegado a ela João Xavier a preparar as casas sobreditas, nas quais quis seu dono manifestar o ardente desejo de servir a Sua Majestade, mandando prover a sua ucharia (5) de tudo o que pode permitir o pouco tempo de uma noite e uma manhã.
Mandou S. Majestade dar cem moedas para os soldados da guarnição da Praça.
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In, (Estêvão da Gama, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior (...), ( p. 52 e 53)
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(1) Refere-se ao que foi depois chamado Palácio de Olivã, onde agora está instalada a Biblioteca Municipal João Dubraz; a Repartição das Finanças Públicas e o Lagar-Museu do Azeite.
(2) Hoje Largo do Barata. Chamava-se "das Estagens", pela mesma razão porque a actual Rua da Poterna, se chamou "Rua da Estalagem Velha". Pois que,  por estarem situadas perto das entradas da vila, ali estavam as casas onde se acomodavam os visitantes.
(3) Estas visitas tinham como finalidade, acompanhar a reconstrução da vila que ficara muito afectada como consequência da destruição provocada pelo Cerco de 1712.
(4) Nesta época não existia ainda a ponte sobre o Caia, tendo este rio que ser passado a vau, coisa que se tornava impraticável na situação de grandes chuvadas.
(5) Ucharia = despensa provida de bens alimentares e outros, destinados à acomodação dos hóspedes que se recebiam em casa.

Francisco Galego