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Município de Campo Maior prepara-se para lançar o programa “Viver em Campo Maior”


O Município de Campo Maior prepara-se para lançar o programa “Viver em Campo Maior”, um projecto que visa a recuperação e requalificação do edificado histórico de Campo Maior e a sua dinamização económica, social e cultural.
Este programa prevê a transmissão por comodato para o Município de Campo Maior de prédios e/ou fracções degradadas existentes no concelho para o fim específico de reabilitação e posterior cedência para habitação ou utilização por terceiros.
O programa “Viver em Campo Maior” tem como objectivos: a promoção e reabilitação do património municipal devoluto e em mau estado de conservação; o aumento da oferta de habitação no concelho de Campo Maior, captando e fixando população no território; o incentivo à economia, gerando investimento diversificado no mercado da reabilitação urbana; a dinamização do sector da construção, fundamental para a manutenção e criação de novos postos de trabalho; e a atracção e fixação de jovens casais no concelho de Campo Maior.
Os imóveis “entregues” ao Município integrarão uma bolsa de arrendamento que será criada para a concretização dos objectivos presentes no plano de acção, mediante os pressupostos e condições de utilização deste programa.
Este programa proporciona ainda um leque de oportunidades para o concelho de Campo Maior, nomeadamente no que concerne à atração e fixação de recursos humanos qualificados, mas também de funcionários públicos em regime de tele-trabalho ou de bolseiros de investigação, para territórios de baixa densidade.
Em fase de conclusão encontram-se já as primeiras casas que irão integrar este programa, nomeadamente as casas do “Quintalinho da Rua Direita”, sito na Rua Direita da Comissão nº 20 A.
O plano de acção e respectivo programa vão ser disponibilizados brevemente no site oficial do Município de Campo Maior.

Os desafios do Turismo e do Património na iniciativa "Pensar Campo Maior 2030"


O Centro Cultural de Campo Maior recebeu esta tarde a segunda edição do Fórum "Pensar Campo Maior 2030", um espaço onde se pensou e reflectiu sobre o futuro de Campo Maior e da região sob o tema "Turismo e Património - Desafios e Oportunidades do Alentejo".
O Fórum Pensar Campo Maior 2030 é destinado a ser um espaço de debate e reflexão colectiva que possa contribuir para esclarecer e estabelecer caminhos para o desenvolvimento do concelho para os próximos anos.
Hoje debateu-se o presente e o futuro do Turismo do Alentejo, as novas tendências, a cada vez maior introdução de um factor diferenciador/inovador na oferta e a importância das novas tecnologias, do marketing e da comunicação no desenvolvimento deste sector.
A terceira década do século XXI marcará o final dos fundos comunitários que nos últimos 30 anos contribuíram para o desenvolvimento e modernização do país. Com este cenário em cima da mesa, afigura-se fundamental encontrar os caminhos, os métodos e os objectivos que possam nortear a gestão pública de Campo Maior com vista ao seu desenvolvimento.
Os autarcas Ricardo Pinheiro, Nuno Mocinha e Francisco Fragoso, das três localidades que constituem a Eurocidade "Eurobec", deram o pontapé de saída do fórum onde também estiveram presentes o Presidente do Turismo do alentejo, Ceia da Silva, o deputado Luis Testa e alguns jovens empresários, entre os quais o campomaiorense Luís Ensinas, fundado e CEO da GlobeStamp e Rita Nabeiro, Directorra-Geral da Adega Mayor do Grupo Nabeiro.



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Comitiva governamental encantada com as obras da Fortificação Abaluartada em Campo Maior

O Município de Campo Maior promoveu esta sexta-feira, 1 de Fevereiro, uma visita à obra de Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior, que contou com a presença do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.
A comitiva, que integrava também o Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, e o Sr. Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Ricardo Pinheiro, ficou a par da evolução da obra e das acções que, no futuro, poderão ser realizadas para projectar o seu desenvolvimento, e ficou encantada com o que viu.
Pedro Marques considerou mesmo que esta é "a maior obra de recuperação do Património no Alentejo", que tem um investimento de cerca de 5 milhões de euros, enquanto que Ricardo Pinheiro mostrava-se satisfeito com a recuperação do património afirmando que esta obra vai "colocar Campo Maior num panorama turístico completamente diferente".
Recorde-se que a Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior é um projecto cofinanciado no âmbito do programa Portugal 2020 - Alentejo 2020, do FEDER, e tem prevista a sua conclusão para o final do corrente ano de 2019.

Fórum "Pensar Campo Maior 2030" dedicado ao tema “Turismo e Património" é já amanhã


O Centro Cultural de Campo Maior recebe, amanhã, dia 2 de fevereiro, o fórum “Pensar Campo Maior 2030”, dedicado ao tema “Turismo e Património – Desafios e Oportunidades do Alentejo”.
O Fórum Pensar Campo Maior 2030 é destinado a ser um espaço de debate e reflexão colectiva que possa contribuir para esclarecer e estabelecer caminhos para o desenvolvimento do concelho para os próximos anos.
Com este evento pretende-se debater o presente e o futuro do Turismo do Alentejo, as novas tendências, a cada vez maior introdução de um factor diferenciador/inovador na oferta e a importância das novas tecnologias, do marketing e da comunicação no desenvolvimento deste sector.
A terceira década do século XXI marcará o final dos fundos comunitários que nos últimos 30 anos contribuíram para o desenvolvimento e modernização do país.
Com este cenário em cima da mesa, afigura-se fundamental encontrar os caminhos, os métodos e os objectivos que possam nortear a gestão pública de Campo Maior com vista ao seu desenvolvimento. O Município de Campo Maior, fruto das condicionantes do sistema de gestão administrativo e político português, é o inevitável protagonista do dia-a-dia de uma comunidade jovem, vibrante e exigente, do qual se esperam respostas e acções que possam contribuir decisivamente para um futuro esperançoso e capaz de contrariar o, aparentemente inevitável, esgotamento do interior do país.
Para tal, pretende-se contar com o contributo de especialistas em vários temas, de pessoas que conheçam o território e as suas gentes, dos empreendedores que investem nas nossas potencialidades, de académicos que pensam e estudam os problemas e propõem soluções e dos campomaiorenses que amam e acreditam na sua terra.


PROGRAMA

Há 151 anos, dia 13 de Dezembro de 1867 população de Campo Maior faz greve geral




Há precisamente 151 anos, a população de Campo Maior insurgiu-se contra uma decisão que extinguia o concelho e o anexava ao concelho de Elvas. Actualmente, e em memória desse facto, existe uma rua na vila precisamente com o nome de Rua 13 de Dezembro (Antiga Rua da Fonte de Cima, conhecida como A Canada). Este é um episódio da História de Campo Maior que o Campomaiornews aqui quer relembrar.

História da Vila de Campo Maior

Origem do nome: A lenda diz que a povoação foi fundada por vários chefes de família que viviam dispersos no campo e resolveram agrupar-se para uma maior protecção. Descobrindo um espaço aberto, um diz para os outros: "Aqui o campo é maior".Vestígios de proveniência diversa permitem concluir que o actual território do concelho de Campo Maior foi habitado desde a época Pré-Histórica.
Certamente foi uma Povoação Romana, dominada por Mouros durante meio milénio e conquistada por cavaleiros cristãos da família Pérez de Badajoz em 1219, que posteriormente ofereceram a aldeia pertencente ao concelho de Badajoz à Igreja de Santa Maria do Castelo.
Em 31 de Maio de 1255, D. Afonso X, rei de Leão, eleva-a a Vila.
O Senhor da Vila, o Bispo D. Frei Pedro Pérez concede, em 1260, o primeiro foral aos seus moradores assim como o seguinte brasão de armas : N. Sr.ª com um cordeiro, e a legenda “Sigillum Capituli Pacensis”.
Em 31 de Maio de 1297, através do Tratado de Paz de Alcanizes assinado em Castela por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela.
Campo Maior vai pertencer sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis, em 1301 ; a D. Afonso Sanches, filho ilegítimo do mesmo rei, em 1312 ; e novamente ao rei D. Dinis em 1318.
O seu castelo que se ergue a leste da vila foi reedificado por D. Dinis em 1310, e foi no século XVII e XVIII que se levantaram fortificações tornando Campo Maior numa importante praça forte de Portugal.
Como reflexo da influência castelhana em Campo Maior, durante a Revolução de 1383-85, a guarnição militar e os habitantes da vila colocam-se ao lado do rei de Castela, tornando-se necessário que o Rei D. João I de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira se desloquem propositadamente ao Alentejo com os seus exércitos para a cercarem durante mais de um mês e meio e ocuparem pela força, em fins de 1388.
D. João II deu-lhe novo brasão: um escudo branco, tendo as armas de Portugal de um lado, e de outro S. João Baptista, patrono da vila.
Em 1512, o rei D. Manuel I concede foral à vila de Campo Maior.
Desde os fins do Século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiam-se em Portugal. A população de Campo Maior vai aumentar substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses foragidos.
A comunidade judaica ou rotulada como tal era tão numerosa na vila no Século XVI que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.
A guerra com Castela a partir de 1640 vai produzir as primeiras grandes transformações. 
A necessidade de fortificar a vila que durante os três últimos séculos se desenvolvera acentuadamente para fora da cerca medieval, a urgência em construir uma nova cintura amuralhada para defesa dos moradores da vila nova dos ataques dos exércitos castelhanos, vai obrigar o rei a enviar quantias avultadas em dinheiro, engenheiros militares, operários especializados e empregar um numeroso contingente de pessoal não qualificado. Os contingentes militares são então numerosos. Calcula-se que na Segunda metade do Século XVII, em cada quatro pessoas residentes na vila, uma era militar. Campo Maior foi, durante algum tempo quartel principal das tropas mercenárias holandesas destacadas para o Alentejo. A vila torna-se naquele tempo o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas.
Em 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, o qual durante 36 dias lança sobre a vila toneladas de bombas e metralha, tendo conseguido abrir uma brecha num dos baluartes; o invasor ao pretender entrar por aí, sofre pesadas baixas que o obrigam a levantar o cerco.
No dia 16 de Setembro de 1732, pelas três da manhã, desencadeia uma violenta trovoada, o paiol, contendo 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, situado na torre grande do castelo é atingido por um raio, desencadeando de imediato uma violenta explosão e um incêndio que arrastou consigo cerca de dois terços da população.
D. João V determina a rápida reconstrução do castelo. A vila vai erguer-se lentamente das ruínas e aos poucos refazer-se para voltar a ocupar o lugar de primeira linha nos momentos de guerra e de local de trocas comerciais e relacionamento pacífico com os povos vizinhos de Espanha, nos tempos de paz.
No Século XVIII termina a construção das actuais Igrejas da Misericórdia e da Matriz, e lança-se a primeira pedra para a fundação da Igreja de S. João. A vila que até então só tivera uma freguesia urbana é dividida nas duas actuais, Nossa Senhora da Expectação e São João Baptista, em 1766.
Os primeiros anos do Século XIX são em Campo Maior de grande agitação. Um cerco, em 1801, pelos espanhóis e uma revolução local, em 1808, contra os franceses que então invadiram Portugal o comprovam.
A sublevação campomaiorense contra a ocupação napoleónica vai sair vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz que permanece na vila durante cerca de três anos.
Em 1811 surge uma nova invasão francesa que fez um cerco cerrado durante um mês à vila, obrigando-a a capitular. Mas a sua resistência foi tal que deu tempo a que chegassem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford, que põe os franceses em debandada, tendo então a vila ganho o título de Vila Leal e Valorosa, título este presente no actual brasão da vila.
As lutas entre liberais e absolutistas em Campo Maior são também acontecimentos assinaláveis.
A «cólera morbis» mata, em 1865, durante cerca de dois meses e meio, uma média de duas pessoas por dia.

Em 1867, tentam extinguir Campo Maior como sede de concelho, agregando-lhe Ouguela e anexando-o ao concelho de Elvas. Tal decisão provoca um levantamento colectivo da povoação, que em 13 de Dezembro, entra numa verdadeira greve geral.

O concelho é definitivamente acrescido da sua única freguesia rural, em 1926 – Nossa Senhora dos Degolados.

Festas do Povo de Campo Maior no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial


Certame de Campo Maior espera também ter o reconhecido da UNESCO no próximo ano


A Direcção-Geral do património Cultural (DGPC) integrou as Festas do Povo de Campo Maior, também conhecidas como Festas das Flores, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
A informação foi comunicada esta terça-feira, 11 de Dezembro em comunicado. Na justificação para esta decisão a DGCP alega a importância de que se reveste o certame enquanto “reflexo da identidade” da comunidade em que a tradição se originou e se pratica.
“Foram igualmente consideradas a produção e a reprodução efectivas que caracterizam esta manifestação do património cultural na actualidade, traduzida em práticas transmitidas intergeracionalmente no âmbito da comunidade de Campo Maior, com recurso privilegiado à oralidade”, refere o comunicado.
Ricardo Pinheiro, presidente da Câmara de Campo Maior, mostrou-se muito satisfeito com a decisão e disse que foi “dado mais um passo” para que o certame tenha a classificação da UNESCO, candidatura já apresentada ao organismo.
António Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, também se manifestou de forma positiva quanto a esta medida por parte da DGPC.
“Podemos obter mais um ‘selo’, que é de grande reconhecimento por uma festa ímpar, única, que tem características muito interessantes do ponto de vista popular e que esperamos que seja Património da Humanidade”, disse, acrescentado que há fortes possibilidades de a UNESCO classificar o evento no próximo ano.
As Festas do Povo realizam-se de quatro em quatro anos. Em 2015 mais de sete mil voluntários integraram a preparação da festa.
Neste certame dezenas de ruas ficam decoradas com flores de papel.

Presidente da Comissão Nacional da UNESCO agradado com requalificação das fortificações de Campo Maior


O Município de Campo Maior recebeu na manhã de hoje, dia 10 de Dezembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, do Presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Embaixador José Filipe Moraes Cabral.
Esta visita serviu para dar a conhecer ao sr. Embaixador alguns dos projectos a decorrer actualmente em Campo Maior, nomeadamente o Projecto de Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior.
José Filipe Moraes Cabral, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO, mostrou-se agradado com o projecto de requalificação da fortificação abaluartada de Campo Maior. O também embaixador de Portugal em França, referiu que o “investimento está a ser feito da melhor maneira possível”.
“É algo exemplar e que está a ser feito com enorme rigor no quadro da perspectiva estratégica do desenvolvimento da região”, disse o diplomata após discussão sobre o projecto.

Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior decorre a bom ritmo (c/fotos)




As obras de requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior continuam a decorrer a bom ritmo. Na sua página do facebook, o Município publicou uma série de fotografias que ilustra o andamento das obras.
"REQUALIFICAÇÃO DA FORTIFICAÇÃO ABALUARTADA DE CAMPO MAIOR - Um olhar diferente sobre uma das mais importantes obras do nosso concelho", é assim que é introduzida a série de fotografias.
Nem sempre se consegue demonstrar a grandeza de um projecto ou a amplitude que este alcança numa só fotografia, quer no contexto de obra como também na consideração social e económica que compreende ou mesmo na sua importância à escala regional e/ou nacional.
A Requalificação da Fortificação Abaluartada de Campo Maior é neste momento um projecto cheio de vida e dinâmica, que “muda” de dia para dia e nos proporciona diferentes “olhares” na sua complexidade.

FOTOS DA REQUALIFICAÇÃO DA FORTIFICAÇÃO ABALUARTADA DE CAMPO MAIOR


Ouguela recebe a edição deste ano do TRAÇO - Festival de Desenho do Alentejo


Ouguela, em Campo Maior, recebe a edição deste ano do TRAÇO - Festival de Desenho do Alentejo, no próximo Sábado, dia 13 de Outubro, a partir das 10H00.
Esta é uma iniciativa que pretende mostrar o Desenho como uma forma cultural de expressão, com inúmeras valências artísticas e funcionais. O festival deste ano conta com a participação de 25 artistas, oriundos de Portugal, Espanha, Itália, Japão e Índia.
O Festival de Desenho está inserido no 33º Encontro USK Raia e da AIAR (Associação que os Sketchers raianos integram), com o apoio da CIMAA, entre outras entidades. O objectivo é promover a região do Alto Alentejo e o seu património, apoiando estes encontros abertos e informais de forma a juntar um acervo, ou conjunto de desenhos que possa vir a constituir uma exposição itinerante num futuro próximo. Este 33º Encontro decorre no Castelo Ouguela, entre as 10 e as 13H00.

Consulte AQUI o programa do Festival de Desenho do Alentejo

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Campo Maior integra candidatura do vinho da talha a Património da Humanidade pela UNESCO


O Município de Campo Maior, juntamente com mais 19 municípios e sete entidades, integra o projecto de candidatura a Património da Humanidade da produção artesanal de vinho de talha, prática milenar de vinificação típica do Alentejo.

Actualmente, "há 20 municípios e sete entidades envolvidas" no projecto de candidatura da produção artesanal de vinho de talha à classificação de Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO" (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), afirmou Rui Raposo, presidente da Câmara de Vidigueira, que lidera o processo.
Segundo o autarca, a autarquia já assinou um protocolo de cooperação com outros 19 municípios alentejanos e sete entidades interessados em participar no projecto, que visa "salvaguardar" a produção artesanal de vinho de talha.
Os subscritores do protocolo vão começar a trabalhar para, numa primeira fase, se elaborar e apresentar a proposta de inscrição da produção artesanal de vinho de talha no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e, numa segunda fase, se elaborar e apresentar a candidatura a Património da Humanidade junto da UNESCO, num processo que deverá durar "dois a três anos", disse.
Na primeira fase, será feito um mapa das zonas onde há produção artesanal de vinho de talha e um trabalho de investigação sobre a prática de vinificação.
Os municípios envolvidos vão definir medidas que irão constar no plano de salvaguarda da produção artesanal de vinho de talha a incluir no processo de candidatura a Património da Humanidade.
Além de Campo Maior, a candidatura envolve os municípios de Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Beja, Cuba, Ferreira do Alentejo, Moura, Serpa e Vidigueira, no distrito de Beja; Borba, Estremoz, Évora, Mora, Mourão, Reguengos de Monsaraz e Viana do Alentejo, no distrito de Évora; e Arronches, Campo Maior, Elvas e Marvão, no distrito de Portalegre.
O Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, a Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo (CVRA), a Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e a Vitifrades - Associação de Desenvolvimento Local são as entidades envolvidas.
Segundo a CVRA, em Portugal, "o Alentejo tem sido o grande guardião" do vinho de talha e tem "sabido preservar" a prática de vinificação criada pelos romanos, com mais de 2.000 anos.
"Seguindo os processos mais clássicos ou adoptando alguma modernização, o vinho de talha mantém-se como um produto único, sublime representante da milenar cultura do vinho no Alentejo", frisa a CVRA.
Ao longo dos tempos, a técnica de produzir vinho em grandes vasilhas de barro, conhecidas como talhas, foi passada de geração em geração, "de forma quase imutável".
Não há apenas uma forma de fazer vinho em talhas, já que a produção varia ligeiramente consoante a tradição local, mas, segundo a forma mais clássica, que "pouco mudou em mais de 2.000 anos", as uvas esmagadas são colocadas dentro de talhas e a fermentação ocorre espontaneamente, explica a CVRA.

Requalificação das Muralhas, do Castelo e Praça de Armas de Ouguela, praticamente concluídas


A obra de recuperação da Praça de Armas do Castelo e toda a sua envolvente, com a necessárias intervenções na Cisterna e de conservação e restauro das muralhas medievais, e as obras do Percurso Interpretativo da Muralha Exterior de Ouguela está praticamente concluída.
Estes projectos têm decorrido há uns meses e irão dar uma nova imagem e renovada dignidade a esta fortificação, tornando-a mais atractiva a todos aqueles que diariamente visitam Ouguela.

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Vandalismo nos espaços públicos em Campo Maior preocupam Município


Vandalismo nos espaços públicos em Campo Maior obrigam a trabalhos redobrados. Na sua página do Facebook o Município de Campo Maior vem repudiar estes actos e fazer um alerta.
Na publicação do Município pode ler-se:
"Menos de 24 horas depois de pintar e recuperar os bancos existentes na Avenida da Fonte das Negras e toda a sua envolvente, o Município de Campo Maior viu-se obrigado a intervir novamente neste local, devido a actos de vandalismo que deixaram o espaço degradado.
O Município de Campo Maior lamenta todos e quaisquer actos de vandalismo, apelando aos munícipes que estejam atentos e que os denunciem junto da autarquia ou das autoridades policiais.
O espaço público é de todos. Ajude-nos a preservá-lo."

NOTAS DE LEITURA, SOBRE HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR - II - A FORTIFICAÇÃO


A FORTIFICAÇÃO

Texto de Estêvão da Gama, in Notícias da antiguidade, aumento e estado presente da Villa de Campo Maior...Publ. por Rui Rosado Vieira, em 1993):

         “É esta Vila fortificada ao moderno, como uma das praças principais das fronteiras.
O seu recinto se ocupa com o Baluarte de S. João (1) e o de Santa Cruz, entre os quais os fossos que lhes correspondem são cheios de água, a que chamam o Lago e o Laguinho (2). Têm muita tenca e excelentes pardelhas (3). Conservam-se todo o ano com abundância de água que recebem dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho. Ao Baluarte de S. Cruz se segue uma cortina (4) muito grande e, no remate dela, fica-lhe cavaleiro (5) o meio baluarte a que chamam do Curral dos Coelhos. A este se segue o que chamam Baluarte de Lisboa e a ele o Baluarte de S. Sebastião entre os quais está a porta da Vila que chamam de Santa Maria. Segue-se o Baluarte da Boa Vista, a este o Meio baluarte de Santa Rosa, que de novo se fabrica (6), a ele o Baluarte de São Francisco, o Baluarte da Fonte do Concelho e o Baluarte do Pixa Torta (7), cuja cortina fecha a Praça no Baluarte de S. João e nela está situada a porta principal que chamam de S. Pedro (8).
Tem excelentes fossos, bastantes esplanadas, estradas encobertas e, em algumas partes, contra-escarpas (9).
Tem seis revelins, dois fortes, o principal se chama  Forte de S. João (10) para a parte do nascente, o outro de Forte do Cachimbo, para a parte do meio-dia (11). E, porque há outra narração que lhe dá diferentes sítios, se põem estes que são os verdadeiros.
Esta fortificação principiou-a D. João IV e a têm continuado a Rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI, El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V que Deus guarde.
Mas, sem embargo de não estar acabada e ter muitas imperfeições, resistiu ao Sítio que lhe moveram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712 (12), governando aquele exército o Marquês de Bay e as nossas armas Pedro de Mascarenhas e a Praça Estêvão da Gama de Moura e Azevedo.”
(...) “É Campo Maior uma das praças mais importantes da Província do Alentejo fronteira de Badajoz, sem que, entre uma ou outra, haja rio ou serra que possam impedir as operações de cavalaria, está fronteira a Albuquerque que é a segunda praça da Província da Estremadura.”
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Notas explicativas:
(1) O Baluarte de S. João, era vulgarmente designado como "Cavaleiro" por ter no meio uma construção mais elevada..
(2) Estes fossos designados militarmente como "fossos molhados", eram muito eficazes em termos defensivos sendo raros em Portugal.
(3) Alguns documentos da época referem que estes peixes eram usados como alimento pela população.
(4)  Uma cortina de muralha.
(5) Na parte de cima.
(6) Que estava a ser reconstruido quando foi escrito este texto.
(7) Era assim designado pela população, mas o seu nome oficial era o de Baluarte do Príncipe, em homenagem ao principe D. João que, devido à doença mental de sua mâe, a rainha D. Maria II, teve de assumir o governo do reino, sendo depois coroado  como D. João VI.
(8) Durante muito tempo, a população designava-a como "a Porta Nova" e ficava no topo da rua onde se localiza agora a CURPI, dando abertura para o Largo dos Cavajais. Foi demolida por decisão da Câmara Municipal, em 1908.
(9) Os muros que, pelo lado de fora, delimitavam os fossos que cercavam as muralhas da fortaleza.
(10) Foi demolido. No terreno que ele ocupava foi depois construido o Estádio Capitão César Correia.
(11) Ainda são visíveis alguns muros para o lado direito de quem sai à Porta da Vila.
(12) Este cerco durou cerca de um mês, tendo o exército sitiante retirado por cansaço das tropas, desgaste dos materiais e chuvadas intensas que dificultavam a manutenção das trincheiras.

Francisco Galego

NOTAS DE LEITURA, SOBRE HISTÓRIA DE CAMPO MAIOR - I - O CASTELO


O CASTELO

O castelo de Campo Maior é obra muito antiga e muito forte tanto pela razão do sítio como pelas torres e muros. Foi fabricado pelos mouros (1) e reparado pelo rei D. Dinis que levantou a maior torre que nele há e, por essa razão, quiseram alguns atribuir-lhe a honra de edificador. Os romanos lhe deram o nome com muita propriedade porque daquele sítio se descobre o maior campo que há por aquele distrito.(2)

Segundo o  Dr. Ayres Varella, Teatro das antiguidades de Elvas,
(In, Estêvão da Gama, p. 29)

Porém duvidamos que a povoação fosse fundada no sítio onde está o castelo. Talvez no sítio de S. Pedro no qual há uma ermida e onde, segundo fontes muito antigas haveria uma fortaleza ou atalaia dos romanos.(3)
Dista a Ermida de S. Pedro da povoação de hoje dois mil passos em terreno plano, com um vale muito fresco, capaz e hortas e pomares, com água nativa e conserva um chafariz que é do concelho desta vila. Estamos persuadidos de que neste campo, por ser o maior que há nestas vizinhanças, fundaram os romanos este povo, obrigados por um acampamento em que se fixaram como sucedeu nas outras mais povoações que fundaram, como é sabido. Neste campo de S. Pedro se acham as ruínas, cimentos, sepulcros, além de colunas. Distante um quarto de légua, conserva-se um muro de pedra e cal que corta um pequeno ribeiro e a que ainda hoje se chama Muro da Represa, que servia para que os gados dos moradores bebessem nele.
(Estêvão da Gama, Notícias da antiguidade, aumento e estado presente da Villa de Campo Maior... p. 30)

Outras fontes documentais referem que:(…) o castelo e a povoação que nele se desenvolveu foram fundados pelos  mouros porque este buscavam os lugares altos para fazerem as suas fortalezas. Com o seu desenvolvimento acabou a povoação de S. Pedro.
- A vila foi restaurada depois pelos Peres de Badajoz no ano de 1219 que a deram ao bispado da cidade para sua fábrica. Depois,  com o Tratado de Alcanizes (1297), foi integrada no reino de Portugal. Logo que El-Rei D. Dinis entrou na posse da vila reparou-lhe o castelo.
(Idem, ibidem)
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(1) Não conheço provas documentais que comprovem esta suposição.
(2) Na verdade os romanos usavam esta expressão Campus Major para designar campos extensos, bastante planos e abertos, logo muito aptos para o aproveitamento agrícola.
(3) Neste local designado como Ad Septem Aras, que se pode traduzir à letra como "Dos Sete altares", passava uma estrada romana. O nome permite formular a hipótese de ter sido um local de apoio para os que, em viagem, necessitariam de apoio religioso, de condições de higiene, de descanso e mesmo de enterramento dos seus mortos em chão sagrado..

Francisco Galego

Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana de Campo Maior em análise no Centro Cultural


Decorreu na tarde de ontem, sexta-feira 29 de Junho, no Centro Cultural de Campo Maior uma Sessão de Trabalho respeitante ao Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana de Campo Maior (PPRU) que teve como objectivo ouvir as sensibilidades e opiniões de várias entidades com relevância económica, social, cultural e turística para o concelho, no sentido de identificar constrangimentos na área abrangida pelo plano, tendo em consideração a revitalização e reabilitação preconizadas na estratégia já definida pelo Município na Área de Reabilitação Urbana de Campo Maior (ARU), que pode consultar aqui
Esta sessão, entre outras, contou com a participação do Presidente do Município, Ricardo Pinheiro, e dos Vereadores João Muacho, Luís Rosinha e Vanda Alegria.


Edifícios degradados no Centro Histórico de Campo Maior revitalizados pelo Município


Vários edifícios degradados no Centro Histórico de Campo Maior, numa acção integrada num amplo projecto de revitalização desta zona da vila, continuam a ser alvo de recuperação, pelo Município.
Neste momento, encontram-se em andamento duas intervenções profundas num edifício na Rua Direita da Comissão e num outro da Rua Nova. Paralelamente, está já em fase adiantada a remodelação de duas casas na Rua dos Quartéis.
Com este projecto de revitalização, o Município continua a melhorar as condições do Centro Histórico e de quem lá habita, para que seja possível atrair mais moradores para esta zona nobre do concelho.
Fonte e Fotos: Município de Campo Maior

RETALHOS DE HISTÓRIA DA VILA DE CAMPO MAIOR..., por Francisco Galego


A primeira igreja matriz de Campo Maior, dedicada a Santa Clara, ficava dentro dos muros do primitivo castelo, no local onde agora se situa um armazém que, até ao início do século XX, serviu de salão para festas, bailes, representações teatrais e outros divertimentos. Este edificio ainda conserva na sua fachada a bilheteira que dá testemunho desta utilização.  
O crescimento da vila e da população, entre os séculos XII e XVI, tornou esta igreja demasiado pequena e de difícil acesso, porque localizada fora da nova zona urbana para onde crescera a povoação. Daí a necessidade de ser construida uma nova igreja. A igreja foi dedicada a Nª Sr.ª da Expectação, nome que foi também dado a uma das duas freguesias urbanas que existem em Campo Maior.
Esta nova matriz que o povo durante muito tempo designou como a “Igreja Nova”, foi construida entre 1570 e 1646. No seu patio lateral leste, foi construida a Capela do Calvário, em 1707. Nos meados do séc. XVIII procedeu-se à colocação dos altares, das tribunas, do cadeiral do altar-mor e à pintura do altar do Santíssimo Sacramento.
Em 1766, no mesmo pátio lateral, foi construída a Capela dos Ossos, em memória das mortes provocadas pela explosão do paiol que estava na torre de menagem, por efeito de um raio, durante uma trovoada, em 16 de Setembro de 1732, entre as três e as quatro horas da madrugada. Das cerca de mil habitações que compunham a vila, cerca de 800 ficaram total ou parcialmente destruidas. A própria igreja matriz ficou muito danificada. Igrejas, conventos e edifícios em geral, sofreram os desastrosos efeitos da explosão.
Numa população de cerca de 5.000 habitantes, morreram cerca de 250 pessoas e ficaram feridas cerca de 2.000.
Graças à rápida decisão de D. João V que ordenou que se acudisse com importante socorro, a vila foi restaurada em pouco tempo para que pudesse acolher a população sobrevivente e para garantir a sua função de praça de guerra, defendendo a fronteira de qualquer tentativa de invasão que poderia ocorrer. E a memória de tal possibilidade estava bem presente devido ao cerco sofrido em 1712 que, devido a uma tenaz resistência, tão importante fora para garantia da independência, da paz e da segurança do nosso território.

Francisco Galego

Obras que decorrem na aldeia histórica de Ouguela visitadas pelo Presidente e Vereador da autarquia campomaiorense


O Presidente do Município, Ricardo Pinheiro e o Vereador Luís Rosinha visitaram esta manhã as obras que neste momento decorrem na aldeia histórica de Ouguela: a obra de recuperação da Praça de Armas do Castelo e toda a sua envolvente, com a necessárias intervenções na Cisterna e de conservação e restauro das muralhas medievais, e as obras do Percurso Interpretativo da Muralha Exterior de Ouguela.
Estes projectos decorrem durante os próximos meses e irão dar uma nova imagem e renovada dignidade a esta fortificação, tornando-a mais atractiva a todos aqueles que diariamente visitam Ouguela.

Notícia relacionada:

O MAJOR TALAYA - COMANDANTE DA PRAÇA DE CAMPO MAIOR DURANTE O CERCO DE 1811, por Francisco Galego


José Joaquim Talaya, nascido em Lisboa, na Freguesia da Ajuda, em 16 de Dezembro de 1757, pertencia a uma família de militares, muito prestigiada nas várias academias que, nesse tempo, constituíam os centros culturais e de convívio dos mais ilustrados.
Tendo já obtido a promoção em capitão, ligou-se pelo casamento a outra família de militares, a dos Silva Villar, casando, em 31 de Janeiro de 1799, com D. Rosa Clara Maria, filha legítima de um capitão e irmã de oficiais que se distinguiram como soldados das forças liberalistas, tal como os quatro filhos resultantes desse casamento, que também adoptaram a luta pela implantação e defesa do Liberalismo.
Tendo iniciado a sua carreia militar como oficial de infantaria, Talaya passou, depois dos estudos necessários, para a especialidade de engenheiraria militar.
Nomeado administrador da Real Fábrica da Pólvora em Barcarena, cargo que desempenhou durante alguns anos, em 29 de Abril de 1793 foi distinguido com a Ordem de S. Bento de Aviz, pela “distinção, zelo, honra, aplicação e actividade” com que desempenhou as suas funções.
Em 21 de Junho de 1800 foi promovido a sargento-mor.
Dez anos depois, o Major Talaya iria distinguir-se como comandante militar, numa situação muito difícil, como comandante militar da praça-de-guerra de Campo Maior.
Os antecedentes:
Devido à recusa de Portugal romper a sua aliança com os ingleses, em 28 de Fevereiro de 1801, a Espanha e a França declararam guerra a Portugal. As hostilidades começaram com a invasão do Alto Alentejo. As praças de guerra estavam muito pouco preparadas para a iminência do ataque.
A praça-de-guerra de Campo Maior sofrera um cerco em 1801. O exército português tinha-se estrategicamente retirado para lá do Tejo. Não havia, portanto, qualquer possibilidade de a praça ser socorrida.  Como quase todas as outras, esta praça de guerra dispunha de uma guarnição muito reduzida e estava muito mal armada. Tinha, interinamente, como comandante, o coronel de engenheiros Matias José Dias Azedo, que aí fora colocado para reparação das fortificações. No Alto Alentejo, só Elvas não foi ocupada.
Sabia-se que estava em Badajoz, numa delegação negociando a paz, estava um ministro português. 
Foi negociado o Tratado de Badajozassinado em 6 de Junho de 1801. Mas as tropas espanholas só abandonaram a praça de guerra de Campo Maior, no dia 22 de Novembro de 1801. Devido aos bombardeamentos e à acção dos soldados, franceses e espanhóis que a ocuparam quase meio ano, tanto a vila, como as estruturas da sua fortaleza, sofreram forte destruição.

Em 1810, o engenheiro militar Talaya, foi enviado para Campo Maior por William Beresford que organizara e comandava o exército portiguês, com o encargo de proceder à reparação das fortificações, fazendo executar os projectos elaborados pelo engenheiro militar Matias José Dias Azedo, seu antecessor, bem como outras obras que entendesse necessárias para colocar a praça em melhores condições de resistência.
Por essa altura, tendo falecido o governador da praça, o sargento-mor Talaya, teve de assumir o cargo de governador, à semelhança do que ocorrera com Dias Azedo, em 1801.
No início de 1811, começou a 3ª invasão francesa comandada por Massena.
Em 11 de Março de 1811, tropas francesas, comandadas por Soult, tomaram Badajoz. Soult deu indicações a Mortier para que tomasse Campo Maior.
Esta praça, além de uma guarnição muito escassa e com fraca preparação militar, estava muito mal provida de munições, pois tinha sido despojada após a sua rendição no cerco de 1801.
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Texto elaborado com “notas de leitura” das seguintes obras:
- Cláudio de Chaby - EXCERTOS HISTORICOS E COLLECÇÃO DE DOCUMENTOS RELATIVOS À GUERRA DENOMINADA DA PENÍNSULA E ÀS ANTERIORES DE 1801 E DO ROUSSILLON E CATALUNHA. Imprensa Nacional, 1863.
- O CÊRCO DE CAMPO MAIOR EM 1811- Comissão do 1º Centenário da Guerra Peninsular 1811-1911Lisboa, Imprensa Nacional, 1911.
- Luís Couceiro da Costa - MEMÓRIAS MILITARES DE CAMPO MAIOR. Editor – António Torres de Carvalho, Elvas, 1912.
UMA CELEBRAÇÃO MAIOR EM CAMPO MAIOR – O CERCO DE 1811. Campo Maior, 2011. Elab. por Francisco Pereira Galego. Ed. Município de Campo Maior, 26 de Março de 2011.
- Francisco Pereira Galego - CAMPO MAIOR NA OBRA DE JOÃO DUBRAZ - VOL. I - MEMÓRIAS HISTÓRICAS DE CAMPO MAIOR – Ed. Município de Campo Maior, 2017.

Francisco Galego

CAMPO MAIOR – A ANTIGA PRAÇA DE GUERRA, por Francisco Galego


É Campo Maior uma das praças mais importantes da Província do Alentejo, fronteira de Badajoz, sem que entre uma e outra haja rio ou serra que possam impedir as operações de cavalaria. Faz também fronteira  com Albuquerque que é a segunda Praça da Província da Estremadura. 
(...) É esta Vila fortificada ao moderno, como uma das praças principais das fronteiras. O seu recinto é formado pelo Baluarte de S. João (1) e o de Santa Cruz, entre os quais o fosso que lhes corresponde é cheio de água. À sua parte maior, que é a que envolve o Baluarte de S. João, chamam o Lago; à parte mais pequena,  a que envolve o Baluarte de Santa Cruz, chamam o Laguinho. Têm as suas águas, muita tenca e excelentes pardelhas (2). Conservam-se todo o ano com abundância de água que recebem dos ribeiros da Fonte Nova e do Laguinho. Ao Baluarte de S. Cruz segue-se uma cortina muito extensa e, no remate dela, fica-lhe, a cavaleiro (3), o meio baluarte a que chamam do Curral dos Coelhos. A este segue-se o que se chama Baluarte de Lisboa. Entre este e o Baluarte de S. Sebastião está a Porta da Vilaa que chamam de Porta de Santa Maria. Segue-se o Baluarte da Boa Vista, a que se segue o Meio Baluarte de Santa Rosa, que está a ser restaurado;  a ele seguem-se, o Baluarte de São Francisco, o Baluarte da Fonte do Concelho e o Baluarte do Picha Torta (4), cuja cortina fecha a Praça no Baluarte de S. João e, nessa cortina, está situada a porta principal  da vila, a que chamam Porta de S. Pedro (5).
Tem excelentes fossos, bastantes esplanadas, estradas encobertas e, em algumas partes, contra-escarpas.Tem seis revelins, dois fortes, o principal chama-se Forte de S. João (6) e fica para a parte do nascente, o outro chamado  Forte do Cachimbo , fica mais para a parte do meio-dia (7).
Esta fortificação principiou-a D. João IV, tendo-a continuado a Rainha D. Luísa, El-Rei D. Afonso VI, El-Rei D. Pedro II e El-Rei D. João V, que Deus guarde.
Mas, sem embargo de não estar acabada e ter muitas imperfeições, resistiu ao Sítio que lhe moveram os castelhanos em 27 de Setembro de 1712, governando aquele exército o Marquês de Bay e as nossas armas Pedro de Mascarenhas e sendo governador da Praça, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo.”
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(In, Estêvão da Gama de Moura e Azevedo, Notícias da Antiguidade, Aumento e Estado Presente da Vila de Campo Maior, (pág.s 79 e 80).
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(1) Vulgarmente designado como "Cavaleiro".
(2) Os peixes costumam garantir a limpeza das águas. Mas, segundo testemunhos da época, estes peixes eram pescados e usados na alimentação pela população. Daí terá resultado uma continuada redução, provavelmente até à extinção.
(3) Sobreposto ou sotoposto.
(4) Este baluarte,aparecia assim nomeado nas plantas militares. Mas, porque esta designação deixou de ser apropriada, numa linguagem socialmente aceitável, passou a ser designado como Baluarte do Príncipe, em homenagem ao futuro D. João VI que, devido à instabilidade mental da rainha D. Maria I, sua mãe, era ele quem efectivamente, reinava em Portugal.  Este baluarte ocupava o espaço do quadrilátero irregular hoje confinado pela Avenida da Liberdade (lados N. e N.E.), pela Estrada Militar (lado S.) e pelo terreno ocupado pela Creche da Santa Casa da Misericórdia. Este espaço está agora  ocupado por prédios de habitação, por garagens e por armazéns. Da estrutura militar primitiva, restam apenas um pano de muralha, no lado virado a N. e outro confinando com o terreno onde está a Creche.  Ligava-se por uma cortina de muralha rodeada de fosso, orientada para S.E, com o baluarte da Fonte do Concelho e por outra cortina, com o Baluarte de S. João (dito a Cavaleiro), na direcção N.W.
(5) Por ter sido construída mais tardiamente, a chamada "Porta de S. Pedro" foi,  durante muito tempo, designada como  a "Porta Nova". Passou a ser o  principal acesso à vila, quando foi aberta uma nova ligação  à estrada para a cidade de Elvas que passava pela Fonte Nova, donde deriva também a estrada para Portalegre, passando por Degolados e Arronches.
(6) Era vulgarmente designado como "Forte das Pesetas". Foi depois demolido porque, devido à sua colocação e disposição, em caso de "sítio" constituiria uma posição perigosa, se ocupada pela artilharia das forças sitiantes.
(7) Ou seja, perto da estrada que, saindo pela porta de Santa Maria, faz a ligação à estrada para Elvas.

Francisco Galego