O Conselho do Fórum do Sudoeste Ibérico defende a concretização de um comboio direto entre Lisboa e Madrid em 2027, a ativação da estação internacional de Caya e o estudo de uma ligação hídrica entre Badajoz, Elvas e Campo Maior para responder a situações de seca. As propostas foram apresentadas na segunda e última reunião do Conselho do Fórum do Sudoeste Ibérico, realizada na sexta-feira, em Badajoz.
De acordo com uma notícia publicada pelo jornal espanhol La Crónica de Badajoz, o encontro centrou-se na necessidade de transformar a cooperação entre a Extremadura espanhola e o Alentejo em projetos concretos, com prazos definidos e resultados mensuráveis.
Entre as medidas debatidas esteve a defesa de uma ligação ferroviária direta entre Lisboa e Madrid já em 2027. O presidente da Câmara Municipal de Badajoz, Ignacio Gragera, considerou igualmente fundamental alcançar, nesse ano, um acordo definitivo para a estação internacional de Caya, que classificou como uma infraestrutura irrenunciável.
O autarca defendeu ainda um planeamento conjunto das redes ferroviárias, hídricas, elétricas e de dados, considerando que Badajoz, Elvas e Campo Maior devem ser encaradas como partes de um território comum, apesar de se situarem em dois países.
Ligação de água a Elvas e Campo Maior em análise
A gestão dos recursos hídricos foi outro dos temas em destaque. Segundo o La Crónica de Badajoz, Jesús Rodríguez Sevilla, diretor da Aqualia na Extremadura, propôs estudar uma ligação que permita abastecer Elvas e Campo Maior a partir de Villar del Rey durante períodos de seca.
O responsável sugeriu também o aproveitamento da água tratada na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Rincón de Caya, que descarrega no rio Guadiana entre 30 mil e 35 mil metros cúbicos por dia. A água poderia ser reutilizada em projetos industriais, nomeadamente na plataforma logística e em centros de dados, atividades que exigem volumes significativos de água.
Empresas e desenvolvimento conjunto
A criação de uma agência de desenvolvimento comum e de uma estrutura de atendimento transfronteiriço para empresas e trabalhadores esteve igualmente entre as propostas apresentadas.
José Luis Iniesta, presidente da Ciem, defendeu a criação de um serviço que preste apoio em matérias como contratação, fiscalidade e concursos públicos, facilitando a atividade económica entre Portugal e Espanha.
Entre os setores identificados como prioritários encontram-se o agroalimentar, o turismo, a logística, a construção, os transportes, a energia e a economia circular.
Também o eurodeputado Ignacio Sánchez Amor apelou a uma maior ambição política dos dois países, defendendo o avanço de projetos conjuntos sem depender exclusivamente das instituições europeias. Entre as infraestruturas referidas estiveram a construção da ponte de Cedillo e a ligação rodoviária entre Moraleja e Portugal.
Património, cultura e comunicação entre os dois lados da fronteira
A cooperação turística e cultural também esteve em discussão, com propostas para criar uma grande rota de caminhadas no território da EuroBEC, promover conjuntamente o património classificado pela UNESCO e desenvolver uma rede transfronteiriça de património fortificado da Extremadura e do Alentejo.
João Alves e Almeida, diretor do jornal Linhas de Elvas, participou no encontro e defendeu a importância de reforçar a divulgação pública dos projetos desenvolvidos nos dois lados da fronteira.
Conforme relatou o La Crónica de Badajoz, o responsável alertou para a falta de conhecimento recíproco entre as populações, sublinhando que muitos habitantes de Badajoz desconhecem o trabalho realizado em Elvas, acontecendo o mesmo no sentido inverso. Considerou, por isso, que os órgãos de comunicação social podem desempenhar um papel importante na divulgação das iniciativas e na mobilização da população em defesa de infraestruturas consideradas essenciais para o desenvolvimento regional.
Na área cultural, foi ainda apresentado o projeto Frontera de la Cultura, promovido a partir de Évora, que pretende criar uma agenda partilhada e uma rede de intercâmbios entre universidades, municípios e museus.
A reunião terminou com o apelo a uma cooperação mais concreta entre Portugal e Espanha, com iniciativas capazes de reforçar as ligações, atrair investimento e contribuir para o desenvolvimento económico e social do Sudoeste Ibérico.

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